Profª de Filosofia e Sociologia da Rede Estadual de Goiás desde 2010.
"Quem educa com carinho e seriedade, educa para sempre".
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[1º ano] Sociologia: O Suicídio para Émile Durkheim

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Caros alunos, boa tarde!


Nesta postagem trago para vocês uma breve explicação sobre um dos assuntos da Sociologia do pensador francês Émile Durkheim.

Como já vimos em sala de aula, Durkheim pretendia fazer da Sociologia uma ciência tão objetiva quanto a matemática, a física ou a biologia. Segundo ele, para a compreensão da sociedade, é necessário enxergá-la com objetividade. E o objeto de estudo de sua teoria é o que ele definiu como FATOS SOCIAIS.

Fatos sociais, na sociologia Durkheimiana é toda maneira de pensar, agir ou de se comportar que tem valor de regra dentro de uma sociedade e dotado de um poder coercitivo. Exemplo: os valores morais, as leis, os costumes são fatos sociais. 

As características e a importância dos fatos sociais como objeto de estudo da sociologia nós já discutimos em sala. Neste momento, trago para vocês mais algumas linhas a respeito de um tema que está sendo debatido na mídia e nas redes sociais, mas com um olhar sociológico de uma autoridade no assunto que é conteúdo neste bimestre: a visão sobre o suicídio para Durkheim.


O Suicídio como uma questão social para Durkheim

Para o senso comum, o suicídio é tido como uma atitude completamente pessoal, íntima e que parece não ter uma explicação convincente para tal atitude. Durkheim vem mostrar, então, que a sua prática não tem a ver somente com o indivíduo, mas sim com uma série de variáveis sociais. Estas variáveis sociais influenciam e repercutem no indivíduo, favorecendo que ele pense em tirar sua própria vida. Porém, o modo como esses fatores refletem depende muito do modelo de sociedade que se considera. 

A obra O Suicídio foi um dos pilares no campo da sociologia. Escrito e publicado em 1897, foi um estudo de caso sobre o assunto, publicação única em sua época, que trouxe um exemplo de como uma monografia sociológica deveria ser escrita. O suicídio é, para Durkheim, “todo o caso de morte que resulta, direta ou indiretamente, de um ato, positivo ou negativo, executado pela própria vítima, e que ela sabia que deveria produzir esse resultado”. Conforme o sociólogo, cada sociedade está predisposta a fornecer um contingente determinado de mortes voluntárias, e o que interessa à sociologia sobre o suicídio é a análise de todo o processo social, dos fatores sociais que agem não sobre os indivíduos isolados, mas sobre o grupo, sobre o conjunto da sociedade. Cada sociedade possui, a cada momento da sua história, uma atitude definida em relação ao suicídio. 

Segundo este pensador, a variável que determina a opção pela abreviação deliberada da existência é a força ou a fragilidade dos laços sociais. E, portanto, o suicídio será tanto mais provável quanto mais frágeis forem os laços sociais dos indivíduos entristecidos. Organização social, natureza dos indivíduos que a compõem e acontecimentos que perturbam a harmonia do funcionamento coletivo são fatores que influenciam gritantemente nas taxas de suicídio de uma sociedade. Como cada uma possui suas peculiaridades, os fatores sociais vão agir de modo distinto. Assim, diferentes sociedades vão ter diferentes taxas de suicídio. Elas se manterão constantes e uma alteração só ocorreria caso houvesse uma mudança muito brusca na organização do corpo social. 

Há três tipos de suicídio, segundo a etimologia de Émile Durkheim, e cada tipo apresentado por ele se manifestará nas sociedades dependendo da coesão social (o que mantém a sociedade unida).
SUICÍDIO EGOÍSTA: característico de sociedades com baixa coesão social. É aquele em que o ego individual se afirma exageradamente face ao ego social, ou seja, há uma individualização enorme. As relações entre os indivíduos e a sociedade se afrouxam fazendo com que o indivíduo não veja mais sentido na vida, não tenha mais razão para viver. Em outras palavras, há um desamparo social grande, causando uma melancolia imensa, uma tristeza profunda, pois os valores sociais e a ideia de coletivo já não parecem fazer sentido, nem serem importante. Tendo a ideia do coletivo enfraquecida, a valorização individual é mais presente. A pessoa tende a ser individualista e egoísta, passa a dar importância em realizar os seus desejos (primazia do ter sobre o ser) e a sustentar aparências. No entanto, quando ele percebe que a vida dele está resumida nas coisas pequenas, não consegue conquistar os seus objetivos fúteis e que não há um sentido maior perdendo, portanto, a vontade de viver.

SUICÍDIO ANÔMICO: característico de sociedades com baixa coesão sócia, é aquele que ocorre em uma situação de anomia social, ou seja, quando há ausência de regras na sociedade, gerando o caos, fazendo com que a normalidade social não seja mantida. Em outras palavras, quando “o negócio está bagunçado”, onde as instituições sociais como a família, a escola, a igreja e o próprio Estado já não cumprem mais o seu papel social, pois estão desmoronando. As instituições sociais perdem o respeito das pessoas. Suas normas sociais, que deveriam manter unida a sociedade, não funcionam mais.  Em uma situação de crise econômica, por exemplo, na qual há uma completa desregulação das regras normais da sociedade, certos indivíduos ficam em uma situação inferior a que ocupavam anteriormente. Assim, há uma perda brusca de riquezas e poder, fazendo com que, por isso mesmo, os índices desse tipo de suicídio aumentem.
SUICÍDIO ALTRUÍSTA: é o tipo de suicídio característicos de sociedades com grande coesão social. O suicídio altruísta é aquele no qual o indivíduo sente-se no dever de fazê-lo para se desembaraçar de uma vida insuportável. É aquele em que o ego não o pertence, confunde-se com outra coisa que se situa fora de si mesmo, isto é, em um dos grupos a que o indivíduo pertence. O suicida altruísta enxerga a sociedade da qual ele pertence ou a sua causa mais importante que ele próprio, que a sua própria vida. 

Exemplos históricos de suicídios altruístas:
Os 300: Em Thermopylae, Leônidas, rei da cidade grega de Esparta, lidera seus guerreiros em desvantagem contra o massivo exército persa. Mesmo sabendo que a morte certa os espera, seus sacrifícios inspiram toda a Grécia a unir-se contra o seu inimigo comum. Os seus guerreiros sabiam que iriam morrer, mas a causa de defender Esparta, a sua sociedade, para eles era muito mais importante que a própria vida. 

Os Kamikazes: pilotos de aviões japoneses carregados de explosivos cuja missão era realizar ataques suicidas contra navios dos Aliados nos momentos finais da campanha do Pacífico na Segunda Guerra Mundial. 

Os muçulmanos que colidiram com o World Trade Center em Nova Iorque, em 2001 também foram suicidas altruístas, assim como soldados de guerras civis, mundiais, outras pessoas que lutaram pela independência de seus países, etc. 

Por Karoline Rodrigues de Melo

[TODOS] Filosofia: Escola de Atenas - Afresco de Rafael

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A Escola de Atenas (Scuola di Atene no original) é uma das mais famosas pinturas do renascentista italiano Rafael e representa a Academia de Atenas. Foi pintada entre 1509 e 1511 na Stanza della Segnatura sob encomenda do Vaticano. A pintura já foi descrita como "a obra-prima de Rafael e a personificação perfeita do espírito clássico da Renascença."
A importância da obra também está em demonstrar como a filosofia e a vida intelectual da Grécia Antiga foram vistas ao final do Renascimento.
Escola de Atenas
Afresco de Rafael (Raffaelo Sanzio, 1483/1520).
Datação: 1511.
Roma, Stanza della Segnatura, Palácio do Vaticano.
Licença: Domínio público 


1: Zenão de Cítio ou Zenão de Eleia 
2: Epicuro 3: desconhecido (acredita-se ser o próprio Rafael) 
4: Anicius Manlius Severinus Boethius ou Anaximandro ou Empédocles 
5: Averroes 
6: Pitágoras 
7: Alcibíades ou Alexandre, o Grande 
8: Antístenes ou Xenofonte 
9: Rafael, Hipátia ou Monalisa, Fornarina como uma personificação do Amor ou ainda Francesco Maria della Rovere 
10: Ésquines ou Xenofonte 
11: Parménides 
12: Sócrates 
13: Heráclito ou Miguelângelo. 
14: Platão segurando o Timeu (Leonardo da Vinci). 
15: Aristóteles segurando Ética a Nicômaco 
16: Diógenes de Sínope 
17: Plotino 
18: Euclides ou Arquimedes acompanhado de estudantes (Bramante) 
19: Estrabão ou Zoroastro (Baldassare Castiglione ou Pietro Bembo). 
20: Ptolomeu R: Apeles (Rafael). 
21: Protogenes (Il Sodoma ou Pietro Perugino).

[Todos] Esclarecimento

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Bom dia a todos!

O objetivo deste blog é servir como mais uma fonte de estudos para os meus alunos. No entanto, ao longo do tempo, vi que muitos colegas de profissão também o utilizam, aproveitando o material que disponibilizo em suas aulas. O que eu acho ótimo!

Eu costruo as listas de exercícios para serem resolvidas em sala de aula com os meus alunos. Não mantenho um gabarito. Corrijo com eles e, em alguns casos, vejo que uma ou outra questão ficou mal elaborada.

Pessoal, não tenho tempo de colocar aqui os gabaritos das questões. Aliás, esse nunca foi o objetivo. Pensem comigo: se eu disponibilizo as questões para os meus alunos e coloco os gabaritos, vocês acham que eles vão se dar ao trabalho de lê-las, analisá-las, pesquisar, enfim, estudar?

Estou recebendo inúmeros e-mails pedindo gabarito. Muitos deles extremamente ofensivos, me agredindo por não colocar as respostas.

Infelizmente não posso parar para atender. O foco do meu blog são os meus alunos. Acredito que, sendo professores da área, todos tenham condições de resolver as questões de nível médio. Se não sabem, por favor, pesquisem ou procurem outros blogs que disponibilizem suas respostas. Há muitas outras fontes de pesquisas semelhantes ou melhores que meu blog.

Aos que pediram e não pude atender, peço desculpas, mas o foco realmente não é esse. Fazer um blog voltado aos próprios colegas com o objetivo de responder e interagir demanda um tempo que, infelizmente, eu não possuo. Aos que vêm até aqui e utilizam do anonimato para me agredir, tenho minhas dúvidas se realmente são professores, pois o mínimo que esperamos de alguém formado e capacitado para ensinar é EDUCAÇÃO.

Profª Karoline

[3º ano] Filosofia: Texto sobre Nietzsche

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Boa tarde, alunos!
Conforme combinado em sala, segue o link para que possam imprimir o material de nossa aula. =)

Filosofia - 3º ano/ 3º EJA - Nietzsche

[3º ano] Sociologia: Sexo, sexualidade e Gênero

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Pensando sobre os conceitos de sexo, sexualidade e gênero.

O termo “sexualidade” nos remete a um universo onde tudo é relativo, pessoal e muitas vezes paradoxal. Pode-se dizer que é traço mais íntimo do ser humano e como tal, se manifesta diferentemente em cada indivíduo de acordo com a realidade e as experiências vivenciadas pelo mesmo.

Muitas vezes se confunde o conceito de sexualidade com o do sexo propriamente dito. É importante salientar que um não necessariamente precisa vir acompanhado do outro. Cabe a cada um decidir qual o momento propício para que esta sexualidade se manifeste de forma física e seja compartilhada com outro indivíduo através do sexo, que é apenas uma das suas formas de se chegar à satisfação desejada.

Sociologicamente é crucial elaborar uma distinção entre os conceitos de gênero e de sexo. Para o senso comum, aparentemente quererem dizer o mesmo. Entretanto, sociologicamente há uma diferença substancial entre ambos.

Enquanto sexo se pode facilmente definir pelas diferenças anatômicas e fisiológicas que definem o corpo masculino e o feminino, por gênero entendem-se as diferenças psicológicas, sociais e culturais entre os indivíduos do sexo masculino e do sexo feminino.

Assim sendo, o gênero é uma noção socialmente construída de masculinidade e feminilidade, não o produto único do sexo biológico de um indivíduo. Muitas das diferenças existentes entre homens e mulheres são de origem social e não biológica.

Desde muito cedo, são transmitidos padrões de comportamento diferenciados para homens e mulheres. O conceito de gênero diz respeito ao conjunto das representações sociais e culturais construídas a partir da diferença biológica dos sexos.

Enquanto o sexo diz respeito ao atributo anatômico, no conceito de gênero toma-se o desenvolvimento das noções de “masculino” e “feminino” como construção social. O uso desse conceito permite abandonar a explicação da natureza como a responsável pela grande diferença existente entre os comportamentos e lugares ocupados por homens e mulheres na sociedade.

Muitas sociedades possuem apenas dois papéis de gênero -- masculino ou feminino -- e estes correspondem ao sexo biológico. Entretanto, algumas sociedades explicitamente incorporam pessoas que adotam o papel de gênero oposto ao sexo biológico, por exemplo, em algumas sociedades indígenas norte-americanas. Outras sociedades incluem papéis bem desenvolvidos que são explicitamente considerados distintos dos arquétipos (modelos) masculinos e femininos.

Joan Roughgarden, uma renomada bióloga estadunidense, argumenta que em algumas espécies animais não-humanas, ocorre a existência de mais de dois gêneros, de forma que pode haver múltiplas formas de comportamento disponíveis para organismos de um determinado sexo biológico.

A sociologia contemporânea refere-se aos papéis de gênero masculino e feminino como masculinidades e feminilidades, respectivamente no plural ao invés do singular, enfatizando a diversidade tanto dentro das culturas como entre as mesmas.

A filósofa e feminista Simone de Beauvoir aplicou o existencialismo para a experiência de vida da mulher: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. A maturidade em relação ao contexto social é aprendida, não instintiva – e verdade nos estudos de gênero – a feminilidade como uma aprendizagem social e cultural.

Nos estudos de gênero, o termo gênero é usado para se referir às construções sociais e culturais de masculinidades e feminilidades. Neste contexto, gênero explicitamente exclui referências para as diferenças biológicas e foca nas diferenças culturais. Na sociedade, identidade de gênero se refere ao gênero em que a pessoa se identifica (i.e, se ela se identifica como sendo um homem, uma mulher ou se ela vê a si como fora do convencional).


Assistam também a animação “Minha vida de João”, disponível no YouTube - Desenho animado sem palavras, com 20 minutos de duração, criado para problematizar as questões de gênero.

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YouTube - Desenho animado sem palavras, com 20 minutos de duração, criado para
problematizar as questões de gênero.