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[1ª Série] Sociologia: A Sociologia de Karl Marx - Texto II (Conceitos)

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

A Sociologia de Karl Marx – Texto II

 Bordado Karl Marx no Elo7 | Gabriela da Silva (17402E5)

Karl Marx, era prussiano de nascimento. Marx é importante tanto para a Filosofia quanto para Sociologia por conta do materialismo histórico, claro.


Um método de análise da sociedade que resultou das várias influências desse pensador, a mais notável delas, Hegel e sua dialética.


Entretanto, ao contrário de Hegel, Marx afirma que são as condições materiais de existência que definem as relações sociais, ou seja, não é a ideia ou a razão que constrói o mundo a sua volta, mas o contrário, a matéria que determina a ideia.


Nas palavras de Marx: "Não é a consciência dos homens que determina seu ser, mas, pelo contrário, seu ser social é que determina sua consciência." Assim sendo, uma sociedade é a expressão de suas condições materiais.

 
Infraestrutura e Superestrutura

Marx chamou de infraestrutura a base material da sociedade, que age através do modo de produção, que é a maneira como as forças produtivas são articuladas pelas relações de produção.


A infraestrutura expressa então, todo um conjunto de leis, regras, valores e ideias, que servirão de suporte ideológico dessa base material. Essa é a superestrutura, o nível ideológico e político-jurídico da sociedade.


Toda elite tentará justificar seu poder através de um conjunto de ideias, produzindo assim, representações da realidade que atendem a seus interesses, e lhes permitem continuar a exercer seu domínio sobre as demais classes sociais. Dessa fora, as ideologias da classe dominante tendem a se tornar a representação da realidade de todas as classes.


Assim, é mais fácil os trabalhadores acreditarem que o desemprego crescente é consequência da sua falta de qualificação e não na transformação na base material provocada por estratégias de maximização do lucro por parte da burguesia, por força da reprodução da ideologia.


As relações de exploração e conflitos

Para Marx, em uma perspectiva histórica, todas as sociedades mantêm relações sociais de produção exploratórias, com a elite detendo o controle sobre a riqueza produzida pela classe oprimida.


Nas relações sociais de produção do capitalismo, são observadas duas principais classes, que são posições ocupadas nessas relações, a burguesia, que controla os meios de produção e explora o proletário pela mais-valia e o proletariado, aqueles que nada possuem além da sua capacidade de agregar valor pelo trabalho e precisam, por isso mesmo, vender sua força de trabalho.


Essas classes estão em constante conflito. Chamado por Marx de luta de classes, essa tensão decorrente da exploração de uma classe sobre a outra acontece porque os burgueses visam sempre maximizar seu lucro. Lembrando sempre que o acúmulo é o objetivo do capitalismo, enquanto o proletariado luta por condições minimamente dignas de existência.


Mais-valia, mercadoria e valor.

A mais-valia se dá por uma diferença de valor, quando produzimos algo, que é útil, esse objeto tem valor de uso, o valor de uso pode ser pessoal ou estar em coisas que não são negociáveis. A mais-valia é baseada na utilidade, ligada as propriedades físicas do objeto. Um grande exemplo é o oxigênio, que é vital para todos os seres humanos e mesmo assim não é comercializado.


O que define uma mercadoria é o valor de troca, ou seja, que haja uso social desse objeto. Uma mercadoria é um produto de trabalho que será trocado. E como medir o valor de troca? Pelo tempo socialmente necessário para a produção dessa determinada coisa. Se leva três horas para produzir um sapato e seis para produzir uma lâmpada, então dois sapatos valem uma lâmpada.


Na mais-valia, o valor pago pelo burguês ou proletário para a produção das mercadorias e o valor que essas mercadorias alcançam no mercado são diferentes. Ou seja, quando usa a força de trabalho comprada do proletariado, a burguesia gera mais valor, já que o trabalho agrega valor a mercadoria, que necessita para remunerar por esse trabalho. Essa diferença só é possível porque o valor de uso da força de trabalho é maior que o valor de troca.


A alienação do trabalho capitalista

No modo de produção capitalista, não são as pessoas o objetivo da produção, a satisfação de suas necessidades, mas a produção em si. Isso possibilita uma gestão fragmentada e eficiente do trabalho.


Por não acessar, controlar e aproveitar o resultado pleno do seu trabalho, o trabalhador sofre alienação, afastado daquilo que no fim das contas, é o seu espelho.


As consequências sociais do afastamento entre o trabalho e o produto do seu trabalho são ignoradas. Como desdobramento, a própria organização da sociedade se fragmenta, as atividades econômicas, as profissões, as artes, o saber etc.


Assim, o trabalhador não consegue mais conceber o processo produtivo na sua totalidade e perde a noção de como esse processo se dá e de sua posição nele, perdendo a noção das consequências jurídico-políticas e ideológicas desse processo também. O trabalhador é afastado também do consumo, não podendo desfrutar da riqueza que é consequência de sua atividade.


O trabalho passa a se tornar não mais a realização do ser humano como ser humano, aquilo que o diferencia de outros seres, mas uma atividade desprazerosa. 


Assim, o trabalhador torna-se mais do que uma mercadoria disponível para compra do burguês, torna-se uma peça, uma engrenagem que compõe as forças produtivas. 


O trabalhador sofre o processo de reificação, onde pessoas e relações passam a ser uma coisa. Nesse processo de coisificação, o trabalhador busca a sua completude, que tende a ocorrer quando adquire aquilo que lhe foi afastado. 


Já que não se sabe mais quem fez o objeto, passa a ser mais importante ter o objeto, esse descontrole por fim, permite que o objeto adquira características sobrenaturais. Claro que os objetos não têm tais características, mas, a intensa mercantilização do sistema capitalista e o afastamento entre os homens e as coisas gera o fetiche, que faz com que as últimas ganhem vida.


A fetichização ocorre quando as relações sociais e a própria vida material passam a acontecer através das coisas, as mercadorias passam a ser adoradas por características que não possuem, mas são atribuídas subjetivamente pelos seres humanos.


A transformação de dado modo de produção só é possível através de uma práxis revolucionária, acontece quando a classe oprimida toma consciência de sua condição, consciência de classe, percebendo as implicações políticas e econômicas da estrutura social.


Essa tomada de consciência ocorre por um constante fazer pensar como uma atitude prático-crítica em que as circunstâncias em que a vida acontece são tanto pensadas quanto construídas pelos homens. A práxis revolucionária não é uma atitude de materialismo extremo nem de idealismo extremo, afinal, para Marx, os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sobre aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.


Apenas uma transformação na forma como o modo de produção se estabelece pode pôr fim aos problemas sociais gerados pelo capitalismo e expressar uma nova superestrutura. Não se trata de ignorar o desenvolvimento histórico, afinal, para Marx a História é um processo dialético.


Confrontada pelas suas contradições, a sociedade capitalista passaria para um novo estágio, síntese dessa contradição, um modo de produção comunista, onde todo trabalhador tem acesso aos meios necessários para a produção da vida material e que abolirá a superestrutura formada pelo capitalismo, possibilitando o exercício real das ideias de liberdade, igualdade política e jurídica defendidas pelo liberalismo.

Prof.ª Karoline Rodrigues de Melo


[1ª Série] Sociologia: A Sociologia de Karl Marx - Texto I (Conceitos)

 A Sociologia de Karl Marx – Texto I 

 

134 anos da morte de Karl Marx. Conheça 10 curiosidades sobre sua vida:


Quem foi Karl Marx?

Karl Marx foi um filósofo, sociólogo, economista, jornalista e teórico político alemão. Junto a Friedrich Engels, elaborou uma teoria política que embasou o chamado socialismo científico. Suas contribuições para a Filosofia Contemporânea incluem, além da análise social e econômica, um novo conceito de dialética, baseado na produção material da humanidade.


Seu conceito dialético, chamado de materialismo histórico-dialético, proporciona uma nova visão para a análise social e científica sobre a história da sociedade. Ao analisar a produção material da Europa, no século XIX, Marx identificou a marcante desigualdade e a exploração de uma classe detentora dos meios de produção (burguesia) sobre a classe explorada (proletariado), o que marcou profundamente a sua carreira.


Teoria de Karl Marx

Marx desenvolveu uma densa e extensa obra que abarca importantes conceitos filosóficos, econômicos e históricos, além de abrir caminho para uma ampliação do método sociológico. Porém, o filósofo ficou mais conhecido por sua teoria de análise e crítica social, que reconhecia uma divisão de classes sociais e a exploração de uma classe privilegiada e detentora dos meios de produção sobre uma classe dominada.


O conjunto de seus conceitos importantes compõe o que Marx denominou de materialismo histórico-dialético, um método de análise social e histórica baseado na luta de classes." Logo no início do Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmam que "a história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes|1|". Essa frase icônica representa o cerne do que é o marxismo: o reconhecimento de que diferentes classes sociais são transpassadas por relações de dominação.


Principais conceitos de Marx

Karl Marx foi um importante sociólogo e filósofo alemão. Seus pensamentos e ideias acabaram influenciando diversas áreas de estudos, e, hoje, é considerado um dos maiores revolucionários e intelectuais da história.


Classes sociais

Classe social pode ser definida como um grupo de agentes sociais nas mesmas condições no processo de produção, e que possuem afinidades políticas e ideológicas. Segundo Marx, a divisão da sociedade em classes é consequência dos papeis desiguais que os grupos sociais têm no processo de produção. De acordo com a teoria marxista, em todas as sociedades capitalistas existe uma classe dominante, que controla direta ou indiretamente o estado, e as classes dominadas por esta. A classe dominante seria aquela que impõe a estrutura social mais adequada para a exploração da força de trabalho. 


Luta de classes

O conceito de luta de classes está bastante relacionado ao conceito de classes sociais. Para Marx, entre as classes de cada sociedade há uma luta constante por interesses opostos, na sociedade capitalista, a divisão social ocorreu devido a apropriação dos meios de produção para um grupo de pessoas (burgueses) e outro grupo explorado devido à sua capacidade e força de trabalho (proletariado).


Mais-valia

Seguindo a lógica de Marx para definir a luta de classes, os trabalhadores são economicamente explorados e os patrões obtém o lucro através da chamada mais-valia. Este conceito, de acordo com a perspectiva marxista, pode ser compreendido da seguinte forma: imagine que um funcionário demore cerca de 2 horas para fabricar um determinado produto. Neste período, ele produz o suficiente para pagar todo o seu trabalho. Entretanto, este funcionário permanece mais tempo na fábrica e recebe o equivalente à produção de apenas um deste produto. O custo da produção continua o mesmo, assim como o salário do funcionário, que receberá menos para gerar mais lucro.


Alienação

A alienação, para Marx, seria uma espécie de aprisionamento. Para ele, o trabalho, ao invés de realizar o homem, o escraviza. Sua vida passa a ser medida pelo o que ele possui e não pelo o que ele é. Para o sociólogo alemão, existem diferentes formas de alienação, como a religião ou o Estado. Mas a alienação principal para Marx seria a econômica.


Consciência de classe

O conceito de consciência de classe diz respeito ao sentimento de pertencimento que um indivíduo tem pela classe social específica a que pertence. Desta forma, um indivíduo com consciência de classe irá agir de forma solidária com os restantes membros desta classe, na defesa dos interesses coletivos. A consciência de classe é determinada  pela luta de classes.


Proletariado

Karl Marx entendia que a única riqueza que um trabalhador poderia possuir e multiplicar era sua prole (filhos). No processo das primeiras Revoluções Industriais, os trabalhadores buscavam ter muitos filhos para que eles se tornassem os novos “braços trabalhadores” para o mercado de trabalho. O termo proletariado surge para designar essa massa de trabalhadores prontos para venderem suas forças de trabalho. O proletariado é o oposto à burguesia dentro da teoria marxista, é o que possui apenas a força de trabalho como propriedade.


Força de trabalho:

Marx diz que não é o trabalho que é explorado pela sociedade capitalista, mas sim a “força de trabalho” ou a capacidade de trabalho que um operário tem. Segundo as normas da economia capitalista, esta força de trabalho é paga pelo seu “valor”, e o salário é o que permite manter e reproduzir a força de trabalho.

Prof.ª Karoline Rodrigues de Melo