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[3ª Série] Filosofia: Thomas Hobbes e o "Leviatã"

terça-feira, 29 de abril de 2014



Filosofia Política de Thomas Hobbes – O Leviatã


Aspectos relevantes da Antropologia Filosófica de Hobbes:


Em sua obra Leviatã, Hobbes afirma que o homem é naturalmente ruim e antissocial. É ruim visto que ele é governado pelas paixões e desta forma busca apenas fins puramente egoístas. É antissocial, também se referindo às paixões, pois dado que procura apenas benefícios particulares e é movido por elas, é capaz de prejudicar e até matar para ter seu desejo realizado.


Os argumentos acerca do homem, defendidos por Hobbes difere em alguns aspectos da argumentação de Aristóteles. Enquanto Hobbes afirma que o homem é um ser antissocial, incapaz de viver em sociedade, em estágio natural, porque busca seus desejos particulares, Aristóteles, em A Política, nos diz que o home é um animal político e, vivendo em sociedade, todos procuram um bem em comum, que é a Felicidade.

Entretanto, o homem espontaneamente não vive em sociedade. Quando eles se reúnem para constituir uma, isso ocorre dado o medo e o perigo de morte constante que caracteriza o “estado de natureza”.


Outro aspecto que difere a teoria de Thomas Hobbes da de Aristóteles é quanto à igualdade dos homens. Aristóteles vê na natureza humana diferenças intrínsecas. Enquanto um homem pode exercer atividade intelectual e ser governante, há outros que não são capazes disso. E, é com base nessa diferença natural que Aristóteles justifica a escravidão. Hobbes, ao contrário, não vê diferenças entre os homens, visto que todos são naturalmente governados pelas paixões e com relação ao governante, ele diz que esse deve ser eleito mediante o voto de todos os indivíduos que queiram sair do estado natural, onde todos podem tudo.


O problema das formas de governo:


Para Hobbes, há apenas três formas de governo: monarquia, democracia e aristocracia. A tirania e a oligarquia são variações da monarquia e da aristocracia.


Quanto à questão das formas de governo, o filósofo vê diferenças em relação ao poder do governante. Na democracia, o poder está nas mãos de representantes do povo; na aristocracia, nas mãos de poucos. Segundo ele, estas duas formas de governo têm em comum o poder dividido e o poder dividido entre poucos ou muitos está condenado à dissolução. Dado ser própria da natureza humana ser movida pelas paixões, e o ser humano sempre procurar por poder, honras e glórias, no governo em que o poder está dividido ele estará também mais vulnerável a guerras internas por causa da busca pelo poder.


O filósofo faz uma analogia: assim como não é possível existir mais de um Deus soberano e onipotente, não pode existir um estado em que seu poder esteja dissolvido. Só há soberania se houver um governante, caso contrário o estado não poderá se sustentar, por causa das guerras internas pela busca de mais poder entre seus representantes.


A única forma de governo que Hobbes considera possível de sustentar um estado ou reino é a monarquia. Na monarquia, o soberano tem em suas mãos todo o poder necessário para garantir a tranquilidade no interior do estado. Ele é a fonte de justiça. Aquilo que ele determinar será lei e deverá ser cumprida. Mesmo que ordene a um súdito tentar contra Deus, este deve obedecê-lo visto está submetido às ordens e às leis do soberano.

A monarquia só funciona se for hereditária. A hereditariedade do poder garante que os homens, após a morte do seu rei, não retornem a situação anárquica em que viviam antes do contrato social. O novo rei não necessariamente precisa ser o filho do soberano. Ele poderá ser aquele que o soberano nomear mediante um testamento.


Aspectos relevantes da argumentação teológica de Thomas Hobbes:


Para Hobbes e os filósofos políticos modernos em geral, não é possível através da razão conhecer Deus. Ele não nega Deus, ele admite a existência de um primeiro motor eterno que gerou todas as coisas. Entretanto, diferentemente dos medievais, afirma que não nos é possível conhecer Deus pelo o que está dado (a natureza). Segundo o autor, a religião é fruto da imaginação do homem. Por não conseguir achar respostas, causas para as coisas e os fenômenos, tente a dar explicações sobrenaturais para os fatos. Ele dá exemplos: gregos e romanos, para cada ação (uma chuva ou tempestade) criavam um deus diferente.

Hobbes vai buscar nas Sagradas Escrituras principalmente no Antigo Testamento fundamentação teológica para a origem do contrato social. Porém, depois de fundamentado, o filósofo “deixa Deus de lado” afirmando que todo o poder deve estar nas mãos do soberano, inclusive o religioso.


Cabe ao soberano decidir que obras religiosas seus súditos terão acesso e também a interpretação dada a elas. O soberano também deve escolher a religião do estado e proibir as demais, para que dessa forma evite conflitos que podem abalar as estruturas do Estado.


A plenitude do poder caracteriza a filosofia política de Thomas Hobbes. O soberano pode ser descrito como um deus na terra, dado o imenso poder que possui.


Conceitos/sentenças chaves: contratualismo, contrato social, estado de natureza, estado de guerra, natureza humana, “o homem é o lobo do homem”.

Por Karoline Rodrigues 17 de maio de 2004.

[3ª Série] Filosofia: Nicolau Maquiavel e "O Príncipe"

domingo, 27 de abril de 2014


Filosofia Política - Nicolau Maquiavel e “O Príncipe”


Desde o início do século XV, em certas regiões da Europa, as antigas cidades do Império Romano e as novas cidades surgidas dos burgos medievais entram em desenvolvimento econômico e social. Grandes rotas comerciais tomam poderosas as corporações e as famílias de comerciantes enquanto o poderio agrário dos barões comerciantes, enquanto o poderio agrário dos barões começa a diminuir.

As cidades estão iniciando o que viria a ser conhecido como capitalismo comercial ou mercantil. Para desenvolvê-lo, não podem continuar submetidas aos padrões, às regras e aos tributos da economia feudal agrária e iniciam lutas por franquias econômicas. As lutas econômicas da burguesia nascente contra a nobreza feudal prosseguem sob a forma de reivindicações políticas: as cidades desejam independência diante dos barões, reis, papas e imperadores.

Na Itália, a redescoberta das obras de pensadores, artistas e técnicos da cultura greco-romana, particularmente das antigas teorias políticas, suscita um ideal político novo: o da liberdade republicana contra o poder teológico-político de papas e imperadores.

Estamos no período conhecido como Renascimento, no qual se espera reencontrar o pensamento, as artes, a ética, as técnicas e a política existentes antes que o saber tivesse sido considerado privilégio da Igreja e os teólogos houvessem adquirido autoridade para decidir o que poderia e o que não poderia ser pensado, dito e feito.

Filósofos, historiadores, dramaturgos, retóricas, tratados de medicina, biologia, arquitetura, matemática, enfim, tudo o que fora criado pela cultura antiga é lido, traduzido, comentado e aplicado. Esparta, Atenas e Roma são tornadas como exemplos da liberdade republicana. Imitá-las é valorizar a prática política, a vita activa, contra o ideal da vida espiritual contemplativa imposto pela Igreja. Falam-se, agora, na liberdade republicana e na vida política como as formas mais altas da dignidade humana. Nesse ambiente, entre 1513 e 1514, em Florença, é escrita a obra que inaugura o pensamento político moderno: O príncipe, de Maquiavel.

Antes de O Príncipe

Embora diferentes e, muitas vezes, contrárias, as obras políticas medievais e renascentistas operam num mundo cristão. Isso significa que, para todas elas, a relação entre política e religião é um dado de que não podem escapar. É verdade que as teorias medievais são teocráticas, enquanto as renascentistas procuram evitar a ideia de que o poder seria uma graça ou um favor divino; no entanto, embora recusem a teocracia, não podem recusar outra ideia qual seja, a de que o poder político só é legítimo se for justo e só será justo se estiver de acordo com a vontade de Deus e a Providência divina. Assim, elementos de teologia continuam presentes nas formulações teóricas da política.

Se deixarmos de lado as diferenças entre medievais e renascentistas e considerarmos suas obras políticas como cristãs, poderemos perceber certos traços comuns a todas elas:

1. Encontram para a política um fundamento anterior e exterior à própria política. Em outras palavras, para alguns, o fundamento da política encontra-se em Deus (seja na vontade divina, que doa o poder aos homens, seja na Providência divina, que favorece o poder de alguns homens); para outros, encontra-se na Natureza, isto é, na ordem natural, que fez o homem um ser naturalmente político; e, para alguns, encontra-se na razão, isto é, na ideia de que existe uma racionalidade que governa o mundo e os homens, torna-os racionais e os faz instituir a vida política. Há, pois, algo - Deus, Natureza ou razão - anterior e exterior à política, servindo de fundamento a ela;

2. Afirmam que a política é instituição de uma comunidade una e indivisa, cuja finalidade é realizar o bem comum ou justiça. A boa política é feita pela boa comunidade harmoniosa, pacífica e ordeira. Lutas, conflitos e divisões são vistos como perigos, frutos de homens perversos e sediciosos, que devem a qualquer preço, ser afastados da comunidade e do poder;

3. Assentam a boa comunidade e a boa política na figura do bom governo, isto é, no príncipe virtuoso e racional, portador da justiça, da harmonia e da indivisão da comunidade;

4. Classificam os regimes políticos em justos-legítimos e injustos-ilegítimos, colocando a monarquia e a aristocracia hereditárias entre os primeiros e identificando com o os segundos o poder obtido por conquista e usurpação, denominando-o tirânico. Este é considerado antinatural, irracional, contrário à vontade de Deus e à justiça, obra de um governante vicioso e perverso.

Em relação à tradição do pensamento político, a obra de Maquiavel é demolidora e revolucionária.

Maquiavélico, maquiavelismo

Estas expressões são usadas quando alguém deseja referir-se tanto à política como aos políticos, e a certas atitudes das pessoas, mesmo quando não ligadas diretamente a uma ação política (fala-se, por exemplo, num comerciante maquiavélico, numa professora maquiavélica, no maquiavelismo de certos jornais, etc.,).

Falamos num "poder maquiavélico" para nos referirmos a um poder que age secretamente nos bastidores, mantendo suas intenções e finalidades desconhecidas para os cidadãos; que afirma que os fins justificam os meios e usa meios imorais, violentos e perversos para conseguir o que quer; que dá as regras do jogo, mas fica às escondidas, esperando que os jogadores causem a si mesmos sua própria ruína e destruição.

Maquiavélico e maquiavelismo fazem pensar em alguém extremamente poderoso e perverso, sedutor e enganador, que sabe levar as pessoas a fazer exatamente o que ele deseja, mesmo que sejam aniquiladas por isso. Como se nota, maquiavélico e maquiavelismo correspondem àquilo que, em nossa cultura, é considerado diabólico. Que teria escrito Maquiavel para que gente que nunca leu sua obra e que nem mesmo sabe que existiu, um dia, em Florença, uma pessoa com esse nome, fale em maquiavélico e maquiavelismo?

A revolução maquiaveliana

Diferentemente dos teólogos, que partiam da Bíblia e do Direito Romano para formular teorias políticas, e diferentemente dos contemporâneos renascentistas, que partiam das obras dos filósofos clássicos para construir suas teorias políticas, Maquiavel parte da experiência real de seu tempo. Foi diplomata e conselheiro dos governantes de Florença, viu as lutas europeias de centralização monárquica (França, Inglaterra, Espanha, Portugal), viu a ascensão da burguesia comercial das grandes cidades e sobretudo via a fragmentação da Itália, dividida em reinos, ducados, repúblicas e Igreja.

A compreensão dessas experiências históricas e a interpretação do sentido delas o conduziram à ideia de que uma nova concepção da sociedade e da política tornara-se necessária, sobretudo para a Itália e para Florença. Sua obra funda o pensamento político moderno porque busca oferecer respostas novas a uma situação histórica nova, que seus contemporâneos tentavam compreender lendo os autores antigos, deixando escapar a observação dos acontecimentos que ocorriam diante de seus olhos.

Se compararmos o pensamento político de Maquiavel com os quatro pontos nos quais resumimos a tradição política, observaremos por onde passa a ruptura maquiaveliana:

1. Maquiavel não admite um fundamento anterior e exterior à política (Deus, Natureza ou razão). Toda Cidade, diz ele em O príncipe, está originariamente dividida por dois desejos opostos: o desejo dos grandes de oprimir e comandar e o desejo do povo de não ser oprimido nem comandado. Essa divisão evidencia que a Cidade não é uma comunidade homogênea nascida da vontade divina, da ordem natural ou da razão humana. Na realidade, a Cidade é tecida por lutas internas que a obrigam a instituir um polo superior que possa unificá-la e dar-lhe identidade. Esse polo é o poder político. Assim, a política nasce das lutas sociais e é obra da própria sociedade para dar a si mesma unidade e identidade. A política resulta da ação social a partir das divisões sociais;

2. Maquiavel não aceita a ideia da boa comunidade política constituída para o bem comum e a justiça. Como vimos, o ponto de partida da política para ele é a divisão social entre os grandes e o povo. A sociedade é originariamente dividida e jamais pode ser vista como uma comunidade una, indivisa, homogênea, voltada para o bem comum. Essa imagem da unidade e da indivisão, diz Maquiavel, é uma máscara com que os grandes recobrem a realidade social para enganar, oprimir e comandar o povo, como se os interesses dos grandes e dos populares fossem os mesmos e todos fossem irmãos e iguais numa bela comunidade. A finalidade da política não é, como diziam os pensadores gregos, romanos e cristãos, a justiça e o bem comum, mas, como sempre souberam os políticos, a tomada e manutenção do poder. O verdadeiro príncipe é aquele que sabe tomar e conservar o poder e que, para isso, jamais deve aliar-se aos grandes, pois estes são seus rivais e querem o poder para si, mas deve aliar-se ao povo, que espera do governante a imposição de limites ao desejo de opressão e mando dos grandes. A política não é a lógica racional da justiça e da ética, mas a lógica da força transformada em lógica do poder e da lei;

3. Maquiavel recusa a figura do bom governo encarnada no príncipe virtuoso, portador das virtudes cristãs, das virtudes morais e das virtudes principescas. O príncipe precisa ter virtú, mas esta é propriamente política, referindo-se às qualidades do dirigente para tomai, e manter o poder, mesmo que para isso deva usar a violência, a mentira, a astúcia e a força. A tradição afirmava que o governante devia ser amado e respeitado pelos governados. Maquiavel afirma que o príncipe não pode ser odiado. Isso significa, em primeiro lugar, que deve ser respeitado e temido - o que só é possível se não for odiado. Significa, em segundo lugar, que não precisa ser amado, por isso o faria um pai para a sociedade e, sabemos, um pai conhece apenas um tipo de poder, o despótico. A virtude política do príncipe aparecerá na qualidade das instituições que souber criar e manter e na capacidade que tiver para enfrentar as ocasiões adversas, isto é, a fortuna ou sorte;

4. Maquiavel não aceita a divisão clássica dos três regimes políticos (monarquia, aristocracia, democracia) e suas formas corruptas ou ilegítimas (tirania, oligarquia, demagogia/anarquia), como não aceita que o regime legítimo seja o hereditário e o ilegítimo, o usurpado por conquista. Qualquer regime político - tenha a forma que tiver e tenha a origem que tiver - poderá ser legítimo ou ilegítimo. O critério de avaliação, ou o valor que mede a legitimidade e a ilegitimidade, é a liberdade.

Todo regime político em que o poderio de opressão e comando dos grandes é maior do que o poder do príncipe e esmaga o povo é ilegítimo; caso contrário, é legítimo. Assim, legitimidade e ilegitimidade dependem do modo como as lutas sociais encontram respostas políticas capazes de garantir o único princípio que rege a política: o poder do príncipe deve ser superior ao dos grandes e estar a serviço do povo.

O príncipe pode ser monarca hereditário ou por conquista; pode ser todo um povo que conquista, pela força, o poder. Qualquer desses regimes políticos será legítimo se for se for uma república e não despotismo ou tirania, isto é, só é legítimo o regime no qual o poder não está a serviço dos desejos e interesses de um particular ou de um grupo de particulares.

O príncipe virtuoso

A tradição grega tornou ética e política inseparáveis, a tradição romana colocou nessa identidade da ética e da política na pessoa virtuosa do governante e a tradição cristã transformou a pessoa política num corpo místico sacralizado que encarnava a vontade de Deus e a comunidade humana. Hereditariedade, personalidade e virtude formavam o centro da política, orientada pela ideia de justiça e bem comum. Esse conjunto de ideias e imagens é demolido por Maquiavel. Um dos aspectos da concepção maquiaveliana que melhor revela essa demolição encontra-se na figura do príncipe virtuoso.

Maquiavel retoma essa oposição, mas lhe imprime um sentido Inteiramente novo. A virtú do príncipe não consiste num conjunto fixo de qualidades morais que ele oporá à fortuna, lutando contra ela. A virtú é a capacidade do príncipe para ser flexível às circunstâncias, mudando com elas para agarrar e dominar a fortuna. Em outras palavras, um príncipe que agir sempre da mesma maneira e de acordo com os mesmos princípios em todas as circunstâncias fracassará e não terá virtú alguma.

Para ser senhor da sorte ou das circunstâncias, deve mudar com elas e, como elas, ser volúvel e inconstante, pois somente assim saberá agarrá-las e vencê-las. Em certas circunstâncias, deverá ser cruel, em outras, generoso; em certas ocasiões deverá mentir, em outras, ser honrado; em certos momentos, deverá ceder à vontade dos outros, em alguns, ser inflexível.

O ethos ou caráter do príncipe deve variar com as circunstâncias, para que sempre seja senhor delas.

Maquiavel introduz a virtude política como astúcia e capacidade para adaptar-se às circunstâncias e aos tempos, como ousadia para agarrar a boa ocasião e força para não ser arrastado pelas más.

A lógica política nada tem a ver com as virtudes éticas dos indivíduos em sua vida privada. O que poderia ser imoral do ponto de vista da ética privada pode ser virtú política. Em outras palavras, Maquiavel inaugura a ideia de valores políticos medidos pela eficácia prática e pela utilidade social, afastados dos padrões que regulam a moralidade privada dos indivíduos. O ethos político e o ethos moral são diferentes e não há fraqueza política maior do que o moralismo que mascara a lógica real do poder.

Por ter inaugurado a teoria moderna da lógica do poder como independente da religião, da ética e da ordem natural, Maquiavel só poderia ter sido visto como maquiavélico. As palavras maquiavélico e maquiavelismo, criadas no século XVI e conservadas até hoje, exprimem o medo que se tem da política quando esta é simplesmente política, isto é, sem as máscaras da religião, da moral, da razão e da Natureza.

Para o Ocidente cristão do século XVI, O Príncipe maquiaveliano, não sendo o bom governo sob Deus e a razão, só poderia ser diabólico. A sacralização do poder, feita pela teologia política, só poderia opor-se a demonização. É essa imagem satânica da política como ação social puramente humana que os termos maquiavélico e maquiavelismo designam.

CHAUÍ, Marilena. Marilena Chauí, Ed. Ática, ano 2000, SP, pág. 200-204.


[3ª Série] Filosofia: Lista de Exercícios

quinta-feira, 6 de junho de 2013



Lista de Exercícios de Filosofia – 3ª série – Profª Karoline Rodrigues de Melo



As questões discursivas deverão ser respondidas no caderno!

1. Que diferenças podemos encontrar na virtú do cidadão e na virtú necessária ao príncipe, segundo Maquiavel?

2. Qual é a finalidade da vida política para Nicolau Maquiavel?

3. Descreva como é o estado de natureza apresentado por Thomas Hobbes e explique a importância apontada por ele em se estabelecer um contrato social.

4. “Os fins justificam os meios”. Explique a frase atribuída ao filósofo Nicolau Maquiavel relacionando-a a conduta e postura do príncipe idealizado por ele.

5. “O homem é o lobo do homem”. Explique a frase de Thomas Hobbes relacionando-a a sua concepção de natureza humana.

6. Platão foi um dos maiores filósofos da Antiguidade Clássica. Uma de suas mais famosas obras, A República, reflete sobre a forma de governo considerada por ele ideal. Em relação ao pensador e sua filosofia política, assinale a alternativa incorreta:
A)O regime político considerado ideal é a sofocracia. Uma espécie de aristocracia (governo da elite) formada pelos mais sábios da cidade.
B)Para ele, somente os sábios eram capazes de governar uma cidade, uma vez que apenas eles saberiam das reais necessidades da população. Por terem a alma racional, controlariam as suas paixões e vontades particulares, buscando sempre o que é melhor para a cidade.
C)O estado ideal deveria investir na educação dos seus cidadãos. Esta deveria levar em conta cada tipo de alma, direcionando os indivíduos para as áreas de atuação, de acordo com as suas aptidões.
D)Platão aceitava como forma de governo ideal a democracia, por acreditar que a coletividade, formada pelos cidadãos atenienses, era capaz de governar em favor de todos, apensar de ter sido a própria democracia grega que condenou o seu mestre Sócrates à morte.
7. Acerca da teoria política de Maquiavel, faça a soma correta:
01)Para formular sua teoria política, ele partiu da experiência real de seu tempo.
02)Ele afirmou que o príncipe ao agir deve considerar os princípios éticos e morais que regulam a nova concepção política
04)O verdadeiro príncipe é aquele que sabe tomar e conservar o poder.
08)O príncipe precisa ter virtú, ou seja, as qualidades para tomar e permanecer no poder, mesmo que use a violência, a mentira, a astúcia e a força.             
Somatória:______

8. “O maquiavelismo é uma interpretação de O Príncipe de Maquiavel, em particular a interpretação segundo a qual a ação política, ou seja, a ação voltada para a conquista e conservação do Estado, é uma ação que não deve ser julgada por meio de critérios diferentes dos de conveniência e oportunidade.” Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, para Maquiavel o poder político é:
A)Independente da conveniência e oportunidade, pois estas dizem respeito à esfera privada da vida em sociedade.
B)Dependente da religião, devendo ser conduzido por parâmetros ditados pela Igreja.
C)Dependente da ética, devendo ser orientado por princípios morais válidos universal e necessariamente.
D)Independente da moral e da religião, devendo ser conduzido por critérios restritos ao âmbito político.

9. Muito citado, Maquiavel é um dos maiores expoentes do Renascimento e sua contribuição determinou novos horizontes para a filosofia política. A respeito do seu conceito de virtú, analise as assertivas e faça a somatória apenas das corretas:
01)O homem de virtú é antes de tudo um sábio, é aquele que conhece as circunstâncias do momento oferecido pela fortuna e age seguro do seu êxito.
02)Mais do que todos os homens, o príncipe tem de ser um homem de virtú, capaz de conhecer as circunstâncias e utilizá-las a seu favor.
04)Partidário da teoria do direito divino, Maquiavel vê o príncipe como um predestinado e a virtú como algo que não depende dos fatores históricos.
08)O príncipe virtuoso é aquele que sabe aproveitar as circunstâncias, não se prendendo à valores morais ou religiosos. Ele deve agir de acordo com a oportunidade e a necessidade.
16)A virtude do príncipe é diferente daquela que comumente é valorizada nas pessoas. Enquanto valoriza-se a bondade, a honestidade e a retidão. Maquiavel, afirma que o príncipe, se tiver as virtudes comuns dos cidadãos está fadado à ruína, pois não terá como manter-se no poder em uma situação de guerra, que exigirá dele decisões e posturas diferentes.                    
Somatória:_______

10. A respeito da obra Leviatã, de Thomas Hobbes, assinale a alternativa incorreta:
A)O Leviatã representa o monarca soberano, que detêm poder absoluto, conquistado através da luta de todos contra todos.
B)O Leviatã, descrito por Hobbes, é um homem artificial, de maior estatura e força do que o homem natural, para cuja proteção e defesa foi projetado.
C)Em Leviatã Hobbes procurou analisar a essência e a natureza do Estado Civil, ao qual, em razão de seu poderio e de sua força, comparou ao monstro bíblico descrito no capítulo 41, do livro de Jó.
D)Hobbes produziu uma teoria segundo a qual o Estado Civil, ou simplesmente Estado, originou-se do contrato firmado entre os indivíduos enquanto estes se encontravam no estado da natureza.

11. “O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros que, por muita piedade, permitem aos distúrbios que levem ao assassínio e ao roubo”. No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, uma reflexão sobre a monarquia e a função do governante. A manutenção da ordem social, segundo esse autor, baseava-se na:
A)Bondade em relação ao comportamento dos mercenários.
B)Conveniência entre o poder e a moral do príncipe.
C)Compaixão quanto à condenação de transgressões religiosas.
D)Neutralidade diante da condenação dos servos.

12. Maquiavel em 1513 escreveu a obra inaugural da filosofia política moderna: O Príncipe. É considerada revolucionária, pois rompe com a tradição política existente na época. Leia as afirmativas abaixo e depois some apenas as corretas:
01)O filósofo não admite um fundamento anterior ou exterior à política, como Deus, natureza ou razão.
02)Toda cidade está originariamente dividida por dois desejos opostos: o desejo dos grandes de oprimir e comandar, e o desejo do povo de não ser oprimido nem comandado.
04)Não existe boa comunidade política constituída para o bem comum e a justiça. O que há é a divisão social entre os grandes e o povo, não podendo ser a sociedade compreendida como una, indivisa e homogênea.
08)A finalidade da vida política é a tomada e manutenção do poder.
16)Não pode o príncipe se aliar aos grandes, pois estes serão seus rivais e vão querer o poder para si. Deve aliar-se ao povo, pois está a serviço dele. 
Soma:________

13. O estado de natureza é:
A)É o estado de todos contra todos, no qual o ser humano pode fazer o que achar necessário para proteger a sua vida, inclusive praticar a violência.
B)É o estado que o ser humano se encontra antes de participar de uma sociedade. O estado de natureza diz respeito a natureza humana, que para Hobbes é negativa, ruim e antissocial.
C)É a transferência voluntária de liberdade particular a um soberano em troca da garantia de vida e de segurança.
D)É o estado natural do ser humano, anterior ao estado, no qual Hobbes vê uma essência boa, solidária e verdadeira do ser humano.

14. Leia o seguinte fragmento: “Durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de mantê-los a todos em respeito, eles se encontram naquela condição em que se chama guerra. Uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens”. Este período descrito por Hobbes é denominado de:
A)Direito natural.      B)Estado de natureza.
C)Contrato social.     D)Guerra civil.

15. Para Hobbes, o que é o estado de guerra?
A)É o estado de todos contra todos, é anterior a instituição do Estado. Não há leis, ordem ou política. Os indivíduos podem fazer o que for necessário para garantir a vida.
B)É a consciência que o ser humano tem do perigo de morte ao se manter no estágio anterior ao Estado.
C)É a concessão da liberdade particular em troca da garantia de vida.
D)É o estado natural do ser humano, no qual ele se vê convivendo com outros seres humanos, com o sentimento mútuo de preservação de seus semelhantes.

16. Para Hobbes, qual é o principal motivo que levam as pessoas a desejar a constituição de um Estado?
A)É o desejo de dominar seus inimigos. Os indivíduos almejam sair do estado de guerra para institucionalizar a violência e a força, pensando na possibilidade se tornar um governante, soberano e poderoso.
B)Segundo o filósofo, o ser humano em seu estado de natureza é egoísta e antissocial, de forma que, em um estado de guerra, ele corre e apresenta perigo aos demais. Assim, o objetivo da constituição de um Estado é o desejo de sobrevivência, transferindo as suas liberdades particulares para um soberano, que vai garanti-lhes a vida e a não retomada ao estado de guerra.
C)É o desejo de paz, uma vez que o ser humano naturalmente quer viver em harmonia com o seu semelhante, mas que no estado de guerra se torna impossível.
D)É a necessidade natural que o ser humano tem de ser dominado e guiado por um soberano que saberá decidir o que é melhor para seus súditos.

17. Sabemos que Hobbes é um contratualista, quer dizer, um daqueles filósofos que, afirmaram que a origem do Estado e/ou da sociedade está num contrato: os homens viveriam, naturalmente, sem poder e sem organização – que somente surgiriam depois de um pacto firmado por eles, estabelecendo as regras de comércio social e de subordinação política. A respeito do contratualismo de Hobbes, analise as afirmativas:
I. A soberania decorrente do contrato é absoluta.
II. A noção de estado de natureza é imprescindível para essa teoria.
III. O contrato ocorre por meio da passagem do estado social para o estado político.
IV. O cumprimento do contrato independe da subordinação política dos indivíduos.
Estão corretas apenas as afirmativas:
A)I e II.           B)I e III.
C)II e III.         D)II e IV.

18. “O direito de natureza é a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua própria vida; e consequentemente de fazer tudo aquilo que seu próprio julgamento  lhe indicar como meios adequados a esse fim. Com base no texto e sobre o Estado de natureza em Hobbes, leia as afirmativas:
I.Todos os homens são igualmente vulneráveis à violência diante da ausência de uma autoridade soberana que detenha o uso da força.
II.Em cada ser humano há um egoísmo na busca de seus interesses pessoais a fim de manter a própria sobrevivência.
III.A competição e o desejo de fama passam a existir nos homens quando abandonam o Estado de natureza e ingressam no Estado social.
IV.O homem é naturalmente um ser social, o que lhe garante uma vida harmônica entre seus pares.
Estão corretas apenas as afirmativas:
A) II, III e IV.        B) III e IV.
C) I e IV.              D) I e II.

19. A respeito do Leviatã faça a somatória das afirmativas corretas:
01)O modelo ideal de poder é a monarquia hereditária, pois para Hobbes, a hereditariedade do poder evita a disputa por ele e o risco de retornarem ao estado de guerra.
02)O sucessor do soberano poderá ser um filho ou quem ele desejar, evitando disputas pelo poder.
04)Ele detém um grande poder, pois os súditos, por meio do contrato social abriram mão da liberdade particular, em troca da garantia de vida e de ordem social.
08)Ele detém em suas mãos o poder secular e o poder religioso. Cabe ao soberano escolher a religião a ser seguida pelos súditos e a interpretação a ser dada às escrituras sagradas.
16) O contrato que funda o poder político visa pôr fim ao estado de guerra que caracteriza o estado de natureza. 
Somatória:_____

20. Hobbes atribuía ao contrato social uma soberania absoluta e indivisível. Sobre o contrato, assinale a incorreta:
A) A renúncia ao direito natural deve ser recíproca entre os indivíduos.
B)A renúncia aos direitos, que caracteriza o contrato político, significa a renúncia de todos os direitos em favor do soberano.
C)Os procedimentos necessários à preservação da paz e da segurança competem aos súditos cidadãos.
D)O contrato que funda o poder político visa dar continuidade ao estado de guerra que caracteriza o estado de natureza.