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[3ª Série] Filosofia: Thomas Hobbes (Absolutismo Monárquico)

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Caros, alunos do 3º ano do Ensino Médio,
Nas primeiras aulas deste bimestre confessei a vocês que, dentre os conteúdos previstos para o ano letivo, a Filosofia Política, uma das áreas de concentração da Filosofia, é a que mais me agrada lecionar. Considero muito interessante estudar sobre o pensamento político ao longo da história e compreender como os filósofos buscaram analisar o seu próprio tempo, além de criarem teorias que explicariam ou ofereceriam alternativas às condições vividas.

Entre os pensadores estudados neste 2º bimestre, temos o inglês Thomas Hobbes. Farei aqui um apanhado do que já estamos trabalhando em sala sobre este pensador e sobre a sua obra mais conhecida, Leviatã. Boa leitura e bons estudos!


Thomas Hobbes e o Leviatã

Thomas Hobbes foi um filósofo, matemático e teórico político inglês, autor de Leviatã e Do Cidadão. Nasceu em 1588 e faleceu em 1679, com 91 anos de idade. Leviatã é considerada a sua obra prima. Nela, Hobbes descreve o conceito de absolutismo.

Thomas Hobbes é um dos pensadores que desenvolve o conceito de "jus naturalis", direito natural. Segundo ele, os seres humanos, em algum momento da história, viviam em um estado de natureza, caracterizado pela ausência de leis e com constantes guerras. 

Hobbes, ao explicar sua compreensão sobre a essência humana, utiliza-se da sentença criada por Plauto, que viveu de 254 a 184 a.C.: "Homo homini lupus", que significa "o homem é o lobo do homem". Todo ser humano teria dentro de si um selvagem. E, se não existisse um estado enquanto instituição social para regular e restringir as ações humanas, a humanidade estaria fadada a viver em guerra até a sua própria destruição.

Em estado de natureza, onde não há a existência de regras, normas e leis para frear os impulsos e paixões que guiam o comportamento humano, o homem age livremente sabendo que não há punição para as suas atitudes e para a de terceiros. Nessa condição, os seres humanos têm igualdades de condições, porém, são capazes de destruir uns aos outros. "A natureza fez os homens tão iguais nas faculdades físicas e mentais que, embora alguns sejam manifestadamente mais fortes ou mentalmente mais ágeis, quando se contemplam esses fatores em conjunto, a diferença entre eles não é tão considerável a ponto de levar um deles a postular para si mesmo qualquer benefício que o outro não possa reivindicar com o mesmo direito, pois quanto a força física, o mais fraco tem vigor suficiente para matar o mais forte ou por meio de maquinações secretas ou em confederação com outros que corram o mesmo perigo". Ou seja, em estado de natureza os indivíduos acabarão vivendo em constantes conflitos e guerras, não tendo como garantia a sua própria vida.

Por conta desta condição natural que dá liberdade ilimitada aos indivíduos, liberdade de empregar a violência e de sofrê-la, Hobbes vê na criação do Estado, enquanto instituição social, a solução para que seja superada essa condição de guerra de todos contra todos. O Estado surge, assim, mediante um contrato social, onde os indivíduos transferem a sua liberdade à um representante.

A visão política de Hobbes pode ser melhor compreendida quando contextualizamos historicamente o período vivido por ele. No fim da Idade Média, início da Idade Moderna, inúmeras mudanças ocorreram, tanto nos campos estruturais da sociedade, da economia, da política e da cultura europeia. Ele aponta para a necessidade da constituição de uma centralização absolutista do poder político. A teoria do absolutismo monárquico, defendida pelo filósofo, entende que o monarca deve ser um representante do povo.

Para melhor compreendermos como se desenrola a teoria, vamos analisar a imagem que compõe a capa do livro, publicado em 1651.


A coroa representa o sistema político defendido por Thomas Hobbes , a monarquia. Nesse caso, a coroa é usada também para fazer alusão ao líder político deste sistema, o rei ou monarca;

A espada, à mão direita do rei, simboliza uma das mais fortes justificativas para a formação do Absolutismo, a segurança (o exército nacional, o poder secular). Em O Leviatã, Hobbes diz que "o povo renuncia tudo em troca do grande dom da segurança";

O cetro, à mão esquerda, simboliza o poder soberano do monarca. Diante desta observação, é válido lembrar que o monarca absolutista acumulava os poderes políticos (executivo, legislativo e judiciário) e econômico (através de medidas mercantilistas) e através destes, somado ao apoio concedido pela Igreja, exercia um forte controle social;

O corpo do rei, ao observarmos, perceberemos que é formado por pessoas. Neste caso, a imagem é uma perfeita ilustração da origem do poder real, pois segundo Hobbes: "o governo absoluto havia sido estabelecido pelo próprio povo";

A proporção (tamanho) destinada à figura do rei deve ser atribuída ao poder real. Na figura acima, fica a sensação de que a autoridade monárquica alcança facilmente todo o território nacional, ou seja, nos é passado a ideia de um controle estabelecido que podemos chamar de governo. 

O Leviatã, a figura que representa o rei absolutista, chega ao governo por meio de um contrato social. O grupo dos indivíduos, num estágio anterior a crianção do Estado, concederam à um deles, que se tornou seu representante, o direito de proteção, de garantia de civilidade e de ordem social.

Thomas Hobbes foi inspirado pelo contexto histórico vivido, assim como influenciou, com sua obra, a própria história de seu país. Na Ingraterra, Henrique VIII e Elizabeth I governavam com as ideias de Hobbes.

Outros pensadores também dissertam sobre o contrato social, porém com justificativas diferentes para a sua origem, como J. Althusius, B. Spinoza, John Locke, Jean-Jacques Rousseau e Immanuel Kant.

Por Profª. Karoline

[3ª Série] Filosofia: Lista de Exercícios de Revisão

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Caros alunos, 
Segue a lista de exercícios para que possam testar os conhecimentos sobre Filosofia Política. Não se esqueçam de também estudar o material do caderno!
Profª Karoline Rodrigues de Melo


Lista de Exercícios – Filosofia – 3º Ano 

1. Platão foi um dos maiores filósofos da Antiguidade Clássica. Uma de suas mais famosas obras, A República, reflete sobre a forma de governo considerada por ele ideal. Em relação ao pensador e sua filosofia política, assinale a alternativa incorreta:
A) O regime político considerado ideal é a sofocracia. Uma espécie de aristocracia (governo da elite) formada pelos mais sábios da cidade.
B) Para ele, somente os sábios eram capazes de governar uma cidade, uma vez que apenas eles saberiam das reais necessidades da população. Por terem a alma racional, controlariam as suas paixões e vontades particulares, buscando sempre o que é melhor para a cidade. 
C) O estado ideal deveria investir na educação dos seus cidadãos. Esta deveria levar em conta cada tipo de alma, direcionando os indivíduos para as áreas de atuação, de acordo com as suas aptidões.
D) Platão aceitava como forma de governo ideal a democracia, por acreditar que a coletividade, formada pelos cidadãos atenienses, era capaz de governar em favor de todos, apensar de ter sido a própria democracia grega que condenou o seu mestre Sócrates à morte.

2. Acerca da teoria política de Maquiavel, faça a soma correta:
01) Para formular sua teoria política, ele partiu da experiência real de seu tempo.
02) Ele afirmou que o príncipe ao agir deve considerar os princípios éticos e morais que regulam a nova concepção política
04) O verdadeiro príncipe é aquele que sabe tomar e conservar o poder.
08) O príncipe precisa ter virtú, ou seja, as qualidades para tomar e permanecer no poder, mesmo que use a violência, a mentira, a astúcia e a força.            Somatória:______

3. “O maquiavelismo é uma interpretação de O Príncipe de Maquiavel, em particular a interpretação segundo a qual a ação política, ou seja, a ação voltada para a conquista e conservação do Estado, é uma ação que não deve ser julgada por meio de critérios diferentes dos de conveniência e oportunidade.” Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, para Maquiavel o poder político é:
A) Independente da conveniência e oportunidade, pois estas dizem respeito à esfera privada da vida em sociedade.
B) Dependente da religião, devendo ser conduzido por parâmetros ditados pela Igreja.
C) Dependente da ética, devendo ser orientado por princípios morais válidos universal e necessariamente.
D) Independente da moral e da religião, devendo ser conduzido por critérios restritos ao âmbito político.

4. A respeito do conceito de virtú de Nicolau Maquiavel, analise as assertivas e faça a somatória apenas das corretas:
01) O homem de virtú é antes de tudo um sábio, é aquele que conhece as circunstâncias do momento oferecido pela fortuna e age seguro do seu êxito.
02) Mais do que todos os homens, o príncipe tem de ser um homem de virtú, capaz de conhecer as circunstâncias e utilizá-las a seu favor.
04) Partidário da teoria do direito divino, Maquiavel vê o príncipe como um predestinado e a virtú como algo que não depende dos fatores históricos.
08)  O príncipe virtuoso é aquele que sabe aproveitar as circunstâncias, não se prendendo à valores morais ou religiosos. Ele deve agir de acordo com a oportunidade e a necessidade.
16)  A virtude do príncipe é diferente daquela que comumente é valorizada nas pessoas. Enquanto valoriza-se a bondade, a honestidade e a retidão. Maquiavel, afirma que o príncipe, se tiver as virtudes comuns dos cidadãos está fadado à ruína, pois não terá como manter-se no poder em uma situação de guerra, que exigirá dele decisões e posturas diferentes.                    Somatória:_______

5. A respeito da obra Leviatã, de Thomas Hobbes, assinale a alternativa incorreta: 
A) O Leviatã representa o monarca soberano, que detêm poder absoluto, conquistado através da luta de todos contra todos.
B) O Leviatã, descrito por Hobbes, é um homem artificial, de maior estatura e força do que o homem natural, para cuja proteção e defesa foi projetado.
C) Em Leviatã Hobbes procurou analisar a essência e a natureza do Estado Civil, ao qual, em razão de seu poderio e de sua força, comparou ao monstro bíblico descrito no capítulo 41, do livro de Jó.
D) Hobbes produziu uma teoria segundo a qual o Estado Civil, ou simplesmente Estado, originou-se do contrato firmado entre os indivíduos enquanto estes se encontravam no estado da natureza. 

6. “O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros que, por muita piedade, permitem aos distúrbios que levem ao assassínio e ao roubo”. No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, uma reflexão sobre a monarquia e a função do governante. A manutenção da ordem social, segundo esse autor, baseava-se na:
A) Bondade em relação ao comportamento dos mercenários.
B) Conveniência entre o poder e a moral do príncipe.
C) Compaixão quanto à condenação de transgressões religiosas.
D) Neutralidade diante da condenação dos servos.

7. Maquiavel em 1513 escreveu a obra inaugural da filosofia política moderna: O Príncipe. É considerada revolucionária, pois rompe com a tradição política existente na época. Leia as afirmativas abaixo e depois some apenas as corretas:
01) O filósofo não admite um fundamento anterior ou exterior à política, como Deus, natureza ou razão.
02) Toda cidade está originariamente dividida por dois desejos opostos: o desejo dos grandes de oprimir e comandar, e o desejo do povo de não ser oprimido nem comandado.
04) Não existe boa comunidade política constituída para o bem comum e a justiça. O que há é a divisão social entre os grandes e o povo, não podendo ser a sociedade compreendida como una, indivisa e homogênea.
08) A finalidade da vida política é a tomada e manutenção do poder. 
16) Não pode o príncipe se aliar aos grandes, pois estes serão seus rivais e vão querer o poder para si. Deve aliar-se ao povo, pois está a serviço dele. Soma:________

8. O estado de natureza é:
A) É o estado de todos contra todos, no qual o ser humano pode fazer o que achar necessário para proteger a sua vida, inclusive praticar a violência.
B) É o estado que o ser humano se encontra antes de participar de uma sociedade. O estado de natureza diz respeito a natureza humana, que para Hobbes é negativa, ruim e antissocial.
C) É a transferência voluntária de liberdade particular a um soberano em troca da garantia de vida e de segurança.
D) É o estado natural do ser humano, anterior ao estado, no qual Hobbes vê uma essência boa, solidária e verdadeira do ser humano.

9. Para Hobbes, o que é o estado de guerra?
A) É o estado de todos contra todos, é anterior a instituição do Estado. Não há leis, ordem ou política. Os indivíduos podem fazer o que for necessário para garantir a vida.
B) É a consciência que o ser humano tem do perigo de morte ao se manter no estágio anterior ao Estado.
C) É a concessão da liberdade particular em troca da garantia de vida.
D) É o estado natural do ser humano, no qual ele se vê convivendo com outros seres humanos, com o sentimento mútuo de preservação de seus semelhantes.

10. Para Hobbes, qual é o principal motivo que levam as pessoas a desejar a constituição de um Estado?
A) É o desejo de dominar seus inimigos. Os indivíduos almejam sair do estado de guerra para institucionalizar a violência e a força, pensando na possibilidade se tornar um governante, soberano e poderoso. 
B) Segundo o filósofo, o ser humano em seu estado de natureza é egoísta e antissocial, de forma que, em um estado de guerra, ele corre e apresenta perigo aos demais. Assim, o objetivo da constituição de um Estado é o desejo de sobrevivência, transferindo as suas liberdades particulares para um soberano, que vai garanti-lhes a vida e a não retomada ao estado de guerra.
C) É o desejo de paz, uma vez que o ser humano naturalmente quer viver em harmonia com o seu semelhante, mas que no estado de guerra se torna impossível.
D) É a necessidade natural que o ser humano tem de ser dominado e guiado por um soberano que saberá decidir o que é melhor para seus súditos.

11. Sabemos que Hobbes é um contratualista, quer dizer, um daqueles filósofos que, afirmaram que a origem do Estado e/ou da sociedade está num contrato: os homens viveriam, naturalmente, sem poder e sem organização – que somente surgiriam depois de um pacto firmado por eles, estabelecendo as regras de comércio social e de subordinação política. A respeito do contratualismo de Hobbes, analise as afirmativas:
I. A soberania decorrente do contrato é absoluta.
II. A noção de estado de natureza é imprescindível para essa teoria.
III. O contrato ocorre por meio da passagem do estado social para o estado político.
IV. O cumprimento do contrato independe da subordinação política dos indivíduos.
Estão corretas apenas as afirmativas:
A) I e II.    
B) I e III.   
C) II e III.    
D) II e IV.

12. “O direito de natureza é a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua própria vida; e consequentemente de fazer tudo aquilo que seu próprio julgamento  lhe indicar como meios adequados a esse fim. Com base no texto e sobre o Estado de natureza em Hobbes, leia as afirmativas:
I.Todos os homens são igualmente vulneráveis à violência diante da ausência de uma autoridade soberana que detenha o uso da força.
II.Em cada ser humano há um egoísmo na busca de seus interesses pessoais a fim de manter a própria sobrevivência.
III.A competição e o desejo de fama passam a existir nos homens quando abandonam o Estado de natureza e ingressam no Estado social.
IV.O homem é naturalmente um ser social, o que lhe garante uma vida harmônica entre seus pares.
Estão corretas apenas as afirmativas:
A) II, III e IV.        B) III e IV.
C) I e IV.              D) I e II.

13. A respeito do Leviatã faça a somatória das afirmativas corretas:
01) O modelo ideal de poder é a monarquia hereditária, pois para Hobbes, a hereditariedade do poder evita a disputa por ele e o risco de retornarem ao estado de guerra.
02) O sucessor do soberano poderá ser um filho ou quem ele desejar, evitando disputas pelo poder.
04) Ele detém um grande poder, pois os súditos, por meio do contrato social abriram mão da liberdade particular, em troca da garantia de vida e de ordem social.
08) Ele detém em suas mãos o poder secular e o poder religioso. Cabe ao soberano escolher a religião a ser seguida pelos súditos e a interpretação a ser dada às escrituras sagradas.
16) O contrato que funda o poder político visa pôr fim ao estado de guerra que caracteriza o estado de natureza. Somatória:_____

14. Hobbes atribuía ao contrato social uma soberania absoluta e indivisível. Sobre o contrato, assinale a incorreta: 
A) A renúncia ao direito natural deve ser recíproca entre os indivíduos.
B)A renúncia aos direitos, que caracteriza o contrato político, significa a renúncia de todos os direitos em favor do soberano.
C)Os procedimentos necessários à preservação da paz e da segurança competem aos súditos cidadãos.
D)O contrato que funda o poder político visa dar continuidade ao estado de guerra que caracteriza o estado de natureza.

[3ª Série] Filosofia: Thomas Hobbes e o "Leviatã"

terça-feira, 29 de abril de 2014



Filosofia Política de Thomas Hobbes – O Leviatã


Aspectos relevantes da Antropologia Filosófica de Hobbes:


Em sua obra Leviatã, Hobbes afirma que o homem é naturalmente ruim e antissocial. É ruim visto que ele é governado pelas paixões e desta forma busca apenas fins puramente egoístas. É antissocial, também se referindo às paixões, pois dado que procura apenas benefícios particulares e é movido por elas, é capaz de prejudicar e até matar para ter seu desejo realizado.


Os argumentos acerca do homem, defendidos por Hobbes difere em alguns aspectos da argumentação de Aristóteles. Enquanto Hobbes afirma que o homem é um ser antissocial, incapaz de viver em sociedade, em estágio natural, porque busca seus desejos particulares, Aristóteles, em A Política, nos diz que o home é um animal político e, vivendo em sociedade, todos procuram um bem em comum, que é a Felicidade.

Entretanto, o homem espontaneamente não vive em sociedade. Quando eles se reúnem para constituir uma, isso ocorre dado o medo e o perigo de morte constante que caracteriza o “estado de natureza”.


Outro aspecto que difere a teoria de Thomas Hobbes da de Aristóteles é quanto à igualdade dos homens. Aristóteles vê na natureza humana diferenças intrínsecas. Enquanto um homem pode exercer atividade intelectual e ser governante, há outros que não são capazes disso. E, é com base nessa diferença natural que Aristóteles justifica a escravidão. Hobbes, ao contrário, não vê diferenças entre os homens, visto que todos são naturalmente governados pelas paixões e com relação ao governante, ele diz que esse deve ser eleito mediante o voto de todos os indivíduos que queiram sair do estado natural, onde todos podem tudo.


O problema das formas de governo:


Para Hobbes, há apenas três formas de governo: monarquia, democracia e aristocracia. A tirania e a oligarquia são variações da monarquia e da aristocracia.


Quanto à questão das formas de governo, o filósofo vê diferenças em relação ao poder do governante. Na democracia, o poder está nas mãos de representantes do povo; na aristocracia, nas mãos de poucos. Segundo ele, estas duas formas de governo têm em comum o poder dividido e o poder dividido entre poucos ou muitos está condenado à dissolução. Dado ser própria da natureza humana ser movida pelas paixões, e o ser humano sempre procurar por poder, honras e glórias, no governo em que o poder está dividido ele estará também mais vulnerável a guerras internas por causa da busca pelo poder.


O filósofo faz uma analogia: assim como não é possível existir mais de um Deus soberano e onipotente, não pode existir um estado em que seu poder esteja dissolvido. Só há soberania se houver um governante, caso contrário o estado não poderá se sustentar, por causa das guerras internas pela busca de mais poder entre seus representantes.


A única forma de governo que Hobbes considera possível de sustentar um estado ou reino é a monarquia. Na monarquia, o soberano tem em suas mãos todo o poder necessário para garantir a tranquilidade no interior do estado. Ele é a fonte de justiça. Aquilo que ele determinar será lei e deverá ser cumprida. Mesmo que ordene a um súdito tentar contra Deus, este deve obedecê-lo visto está submetido às ordens e às leis do soberano.

A monarquia só funciona se for hereditária. A hereditariedade do poder garante que os homens, após a morte do seu rei, não retornem a situação anárquica em que viviam antes do contrato social. O novo rei não necessariamente precisa ser o filho do soberano. Ele poderá ser aquele que o soberano nomear mediante um testamento.


Aspectos relevantes da argumentação teológica de Thomas Hobbes:


Para Hobbes e os filósofos políticos modernos em geral, não é possível através da razão conhecer Deus. Ele não nega Deus, ele admite a existência de um primeiro motor eterno que gerou todas as coisas. Entretanto, diferentemente dos medievais, afirma que não nos é possível conhecer Deus pelo o que está dado (a natureza). Segundo o autor, a religião é fruto da imaginação do homem. Por não conseguir achar respostas, causas para as coisas e os fenômenos, tente a dar explicações sobrenaturais para os fatos. Ele dá exemplos: gregos e romanos, para cada ação (uma chuva ou tempestade) criavam um deus diferente.

Hobbes vai buscar nas Sagradas Escrituras principalmente no Antigo Testamento fundamentação teológica para a origem do contrato social. Porém, depois de fundamentado, o filósofo “deixa Deus de lado” afirmando que todo o poder deve estar nas mãos do soberano, inclusive o religioso.


Cabe ao soberano decidir que obras religiosas seus súditos terão acesso e também a interpretação dada a elas. O soberano também deve escolher a religião do estado e proibir as demais, para que dessa forma evite conflitos que podem abalar as estruturas do Estado.


A plenitude do poder caracteriza a filosofia política de Thomas Hobbes. O soberano pode ser descrito como um deus na terra, dado o imenso poder que possui.


Conceitos/sentenças chaves: contratualismo, contrato social, estado de natureza, estado de guerra, natureza humana, “o homem é o lobo do homem”.

Por Karoline Rodrigues 17 de maio de 2004.

[3ª Série] Filosofia: Lista de Exercícios

quinta-feira, 6 de junho de 2013



Lista de Exercícios de Filosofia – 3ª série – Profª Karoline Rodrigues de Melo



As questões discursivas deverão ser respondidas no caderno!

1. Que diferenças podemos encontrar na virtú do cidadão e na virtú necessária ao príncipe, segundo Maquiavel?

2. Qual é a finalidade da vida política para Nicolau Maquiavel?

3. Descreva como é o estado de natureza apresentado por Thomas Hobbes e explique a importância apontada por ele em se estabelecer um contrato social.

4. “Os fins justificam os meios”. Explique a frase atribuída ao filósofo Nicolau Maquiavel relacionando-a a conduta e postura do príncipe idealizado por ele.

5. “O homem é o lobo do homem”. Explique a frase de Thomas Hobbes relacionando-a a sua concepção de natureza humana.

6. Platão foi um dos maiores filósofos da Antiguidade Clássica. Uma de suas mais famosas obras, A República, reflete sobre a forma de governo considerada por ele ideal. Em relação ao pensador e sua filosofia política, assinale a alternativa incorreta:
A)O regime político considerado ideal é a sofocracia. Uma espécie de aristocracia (governo da elite) formada pelos mais sábios da cidade.
B)Para ele, somente os sábios eram capazes de governar uma cidade, uma vez que apenas eles saberiam das reais necessidades da população. Por terem a alma racional, controlariam as suas paixões e vontades particulares, buscando sempre o que é melhor para a cidade.
C)O estado ideal deveria investir na educação dos seus cidadãos. Esta deveria levar em conta cada tipo de alma, direcionando os indivíduos para as áreas de atuação, de acordo com as suas aptidões.
D)Platão aceitava como forma de governo ideal a democracia, por acreditar que a coletividade, formada pelos cidadãos atenienses, era capaz de governar em favor de todos, apensar de ter sido a própria democracia grega que condenou o seu mestre Sócrates à morte.
7. Acerca da teoria política de Maquiavel, faça a soma correta:
01)Para formular sua teoria política, ele partiu da experiência real de seu tempo.
02)Ele afirmou que o príncipe ao agir deve considerar os princípios éticos e morais que regulam a nova concepção política
04)O verdadeiro príncipe é aquele que sabe tomar e conservar o poder.
08)O príncipe precisa ter virtú, ou seja, as qualidades para tomar e permanecer no poder, mesmo que use a violência, a mentira, a astúcia e a força.             
Somatória:______

8. “O maquiavelismo é uma interpretação de O Príncipe de Maquiavel, em particular a interpretação segundo a qual a ação política, ou seja, a ação voltada para a conquista e conservação do Estado, é uma ação que não deve ser julgada por meio de critérios diferentes dos de conveniência e oportunidade.” Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, para Maquiavel o poder político é:
A)Independente da conveniência e oportunidade, pois estas dizem respeito à esfera privada da vida em sociedade.
B)Dependente da religião, devendo ser conduzido por parâmetros ditados pela Igreja.
C)Dependente da ética, devendo ser orientado por princípios morais válidos universal e necessariamente.
D)Independente da moral e da religião, devendo ser conduzido por critérios restritos ao âmbito político.

9. Muito citado, Maquiavel é um dos maiores expoentes do Renascimento e sua contribuição determinou novos horizontes para a filosofia política. A respeito do seu conceito de virtú, analise as assertivas e faça a somatória apenas das corretas:
01)O homem de virtú é antes de tudo um sábio, é aquele que conhece as circunstâncias do momento oferecido pela fortuna e age seguro do seu êxito.
02)Mais do que todos os homens, o príncipe tem de ser um homem de virtú, capaz de conhecer as circunstâncias e utilizá-las a seu favor.
04)Partidário da teoria do direito divino, Maquiavel vê o príncipe como um predestinado e a virtú como algo que não depende dos fatores históricos.
08)O príncipe virtuoso é aquele que sabe aproveitar as circunstâncias, não se prendendo à valores morais ou religiosos. Ele deve agir de acordo com a oportunidade e a necessidade.
16)A virtude do príncipe é diferente daquela que comumente é valorizada nas pessoas. Enquanto valoriza-se a bondade, a honestidade e a retidão. Maquiavel, afirma que o príncipe, se tiver as virtudes comuns dos cidadãos está fadado à ruína, pois não terá como manter-se no poder em uma situação de guerra, que exigirá dele decisões e posturas diferentes.                    
Somatória:_______

10. A respeito da obra Leviatã, de Thomas Hobbes, assinale a alternativa incorreta:
A)O Leviatã representa o monarca soberano, que detêm poder absoluto, conquistado através da luta de todos contra todos.
B)O Leviatã, descrito por Hobbes, é um homem artificial, de maior estatura e força do que o homem natural, para cuja proteção e defesa foi projetado.
C)Em Leviatã Hobbes procurou analisar a essência e a natureza do Estado Civil, ao qual, em razão de seu poderio e de sua força, comparou ao monstro bíblico descrito no capítulo 41, do livro de Jó.
D)Hobbes produziu uma teoria segundo a qual o Estado Civil, ou simplesmente Estado, originou-se do contrato firmado entre os indivíduos enquanto estes se encontravam no estado da natureza.

11. “O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros que, por muita piedade, permitem aos distúrbios que levem ao assassínio e ao roubo”. No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, uma reflexão sobre a monarquia e a função do governante. A manutenção da ordem social, segundo esse autor, baseava-se na:
A)Bondade em relação ao comportamento dos mercenários.
B)Conveniência entre o poder e a moral do príncipe.
C)Compaixão quanto à condenação de transgressões religiosas.
D)Neutralidade diante da condenação dos servos.

12. Maquiavel em 1513 escreveu a obra inaugural da filosofia política moderna: O Príncipe. É considerada revolucionária, pois rompe com a tradição política existente na época. Leia as afirmativas abaixo e depois some apenas as corretas:
01)O filósofo não admite um fundamento anterior ou exterior à política, como Deus, natureza ou razão.
02)Toda cidade está originariamente dividida por dois desejos opostos: o desejo dos grandes de oprimir e comandar, e o desejo do povo de não ser oprimido nem comandado.
04)Não existe boa comunidade política constituída para o bem comum e a justiça. O que há é a divisão social entre os grandes e o povo, não podendo ser a sociedade compreendida como una, indivisa e homogênea.
08)A finalidade da vida política é a tomada e manutenção do poder.
16)Não pode o príncipe se aliar aos grandes, pois estes serão seus rivais e vão querer o poder para si. Deve aliar-se ao povo, pois está a serviço dele. 
Soma:________

13. O estado de natureza é:
A)É o estado de todos contra todos, no qual o ser humano pode fazer o que achar necessário para proteger a sua vida, inclusive praticar a violência.
B)É o estado que o ser humano se encontra antes de participar de uma sociedade. O estado de natureza diz respeito a natureza humana, que para Hobbes é negativa, ruim e antissocial.
C)É a transferência voluntária de liberdade particular a um soberano em troca da garantia de vida e de segurança.
D)É o estado natural do ser humano, anterior ao estado, no qual Hobbes vê uma essência boa, solidária e verdadeira do ser humano.

14. Leia o seguinte fragmento: “Durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de mantê-los a todos em respeito, eles se encontram naquela condição em que se chama guerra. Uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens”. Este período descrito por Hobbes é denominado de:
A)Direito natural.      B)Estado de natureza.
C)Contrato social.     D)Guerra civil.

15. Para Hobbes, o que é o estado de guerra?
A)É o estado de todos contra todos, é anterior a instituição do Estado. Não há leis, ordem ou política. Os indivíduos podem fazer o que for necessário para garantir a vida.
B)É a consciência que o ser humano tem do perigo de morte ao se manter no estágio anterior ao Estado.
C)É a concessão da liberdade particular em troca da garantia de vida.
D)É o estado natural do ser humano, no qual ele se vê convivendo com outros seres humanos, com o sentimento mútuo de preservação de seus semelhantes.

16. Para Hobbes, qual é o principal motivo que levam as pessoas a desejar a constituição de um Estado?
A)É o desejo de dominar seus inimigos. Os indivíduos almejam sair do estado de guerra para institucionalizar a violência e a força, pensando na possibilidade se tornar um governante, soberano e poderoso.
B)Segundo o filósofo, o ser humano em seu estado de natureza é egoísta e antissocial, de forma que, em um estado de guerra, ele corre e apresenta perigo aos demais. Assim, o objetivo da constituição de um Estado é o desejo de sobrevivência, transferindo as suas liberdades particulares para um soberano, que vai garanti-lhes a vida e a não retomada ao estado de guerra.
C)É o desejo de paz, uma vez que o ser humano naturalmente quer viver em harmonia com o seu semelhante, mas que no estado de guerra se torna impossível.
D)É a necessidade natural que o ser humano tem de ser dominado e guiado por um soberano que saberá decidir o que é melhor para seus súditos.

17. Sabemos que Hobbes é um contratualista, quer dizer, um daqueles filósofos que, afirmaram que a origem do Estado e/ou da sociedade está num contrato: os homens viveriam, naturalmente, sem poder e sem organização – que somente surgiriam depois de um pacto firmado por eles, estabelecendo as regras de comércio social e de subordinação política. A respeito do contratualismo de Hobbes, analise as afirmativas:
I. A soberania decorrente do contrato é absoluta.
II. A noção de estado de natureza é imprescindível para essa teoria.
III. O contrato ocorre por meio da passagem do estado social para o estado político.
IV. O cumprimento do contrato independe da subordinação política dos indivíduos.
Estão corretas apenas as afirmativas:
A)I e II.           B)I e III.
C)II e III.         D)II e IV.

18. “O direito de natureza é a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua própria vida; e consequentemente de fazer tudo aquilo que seu próprio julgamento  lhe indicar como meios adequados a esse fim. Com base no texto e sobre o Estado de natureza em Hobbes, leia as afirmativas:
I.Todos os homens são igualmente vulneráveis à violência diante da ausência de uma autoridade soberana que detenha o uso da força.
II.Em cada ser humano há um egoísmo na busca de seus interesses pessoais a fim de manter a própria sobrevivência.
III.A competição e o desejo de fama passam a existir nos homens quando abandonam o Estado de natureza e ingressam no Estado social.
IV.O homem é naturalmente um ser social, o que lhe garante uma vida harmônica entre seus pares.
Estão corretas apenas as afirmativas:
A) II, III e IV.        B) III e IV.
C) I e IV.              D) I e II.

19. A respeito do Leviatã faça a somatória das afirmativas corretas:
01)O modelo ideal de poder é a monarquia hereditária, pois para Hobbes, a hereditariedade do poder evita a disputa por ele e o risco de retornarem ao estado de guerra.
02)O sucessor do soberano poderá ser um filho ou quem ele desejar, evitando disputas pelo poder.
04)Ele detém um grande poder, pois os súditos, por meio do contrato social abriram mão da liberdade particular, em troca da garantia de vida e de ordem social.
08)Ele detém em suas mãos o poder secular e o poder religioso. Cabe ao soberano escolher a religião a ser seguida pelos súditos e a interpretação a ser dada às escrituras sagradas.
16) O contrato que funda o poder político visa pôr fim ao estado de guerra que caracteriza o estado de natureza. 
Somatória:_____

20. Hobbes atribuía ao contrato social uma soberania absoluta e indivisível. Sobre o contrato, assinale a incorreta:
A) A renúncia ao direito natural deve ser recíproca entre os indivíduos.
B)A renúncia aos direitos, que caracteriza o contrato político, significa a renúncia de todos os direitos em favor do soberano.
C)Os procedimentos necessários à preservação da paz e da segurança competem aos súditos cidadãos.
D)O contrato que funda o poder político visa dar continuidade ao estado de guerra que caracteriza o estado de natureza.