Profª de Filosofia e Sociologia da Rede Estadual de Goiás desde 2010.
"Quem educa com carinho e seriedade, educa para sempre".
Comece onde você está. Use o que você tem. Faça o que puder.
 
Mostrando postagens com marcador escolástica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escolástica. Mostrar todas as postagens

[2ª Série] Filosofia: Correção da Lista de Exercícios

sábado, 22 de março de 2014


Colégio Estadual Maria Benedita Velozo
Profª  Karoline Rodrigues de Melo
Série : 2ª série do Ensino Médio

Lista de Exercícios de Filosofia

1.    A Filosofia Medieval foi:
A_(__)_um resgate da filosofia clássica no que diz respeito ao questionamento constante do que estava relacionado ao mito e à religião.
B_(__)_um instrumento de estudo que visava comprovar que a razão era a única forma verdadeira de conhecimento sobre o mundo e sobre as coisas.
C_(__)_uma doutrina religiosa que queria extinguir o pensamento racional da realidade medieval.
D_(__)_teve como uma das principais preocupações fornecer argumentações racionais, espelhadas nas contribuições dos gregos, para justificar as chamadas verdades reveladas do cristianismo.

2.    Na Idade Média a Igreja exercia influência sobre:
A_(__)_o campo espiritual apenas, não cabendo a ela opinar sobre as regras terrenas.
B_(__)_o campo espiritual, mas também importante papel político na sociedade, relacionada à enorme quantidade de bens materiais e o seu interesse em manter os fiéis submissos às suas decisões.
C_(__)_somente em relação ao quadro intelectual, distanciando-se da vida cotidiana e das regras terrenas.
D_(__)_apenas no âmbito cultural, influenciando a Filosofia e a forma de se perceber o mundo e sua relação com Deus.

3.    Em relação à Patrística é incorreto afirmar que:
A_(__)_Foi um período que se caracterizou pelo resultado dos esforços dos apóstolos e dos primeiros Padres da Igreja para conciliar a nova religião com o pensamento filosófico resgatando elementos gregos e os romanos.
B_(__)_Tomou como tarefa a defesa da fé cristã, frente às diversas críticas advindas de valores teóricos e morais dos “antigos”.
C_(__)_Teve como seu mais famoso intelectual Santo Agostinho de Hipona, que tentou resgatar elementos da filosofia platônica para justificar a existência de Deus e os preceitos cristãos. 
D_(__)_Santo Agostinho, o seu maior expoente, procurou seguir rigorosamente os argumentos de Platão quanto à imortalidade da alma, da superioridade do mundo das ideias e da validade da teoria da reminiscência.

4.    Para a Filosofia Cristã Medieval a relação entre a fé e a razão era de:
A_(__)_subordinação da fé em favor da razão.
B_(__)_subordinação da razão em favor da fé.
C_(__)_conciliação igualitária entre a fé e a razão.
D_(__)_negação de ambas como meios para se alcançar a verdade sobre as coisas.

5.    Para a Filosofia Cristã, a Filosofia se tornou/foi:
A_(__)_a única representante da fé cristã, por muitos séculos.
B_(__)_um instrumento para demonstrar racionalmente as verdades da fé.
C_(__)_uma área de conhecimento desprezada pelos religiosos que não viam a necessidade de comprovação racional dos preceitos religiosos.
D_(__)_um canal direto com as verdades que só poderiam ser percebidas pelo Espírito Santo.

6.    Para Santo Agostinho, a alma era:
A_(__)_superior ao corpo (matéria), que foi criada por Deus para reinar sobre ele, dirigindo-o à prática do bem.
B_(__)_tão importante quanto o corpo, pois do corpo é possível extrair a razão sobre as coisas e a alma conduz a essa tarefa.
C_(__)_inferior ao corpo, pois é por meio do corpo que o ser humano adquire a vontade de conhecer e procurar o caminho do bem.
D_(__)_o canal do conhecimento verdadeiro, que só era possível quando estava fora do corpo e no mundo das ideias.

7.    Santo Agostinho, grande filósofo da Idade Média, ao logo da sua vida, pesquisou várias tendências filosóficas e religiosas. Entre aquelas que tiveram grande influência na sua filosofia, podemos destacar:
A_(__)_O maniqueísmo, seita típica do final da Antiguidade, que divide o mundo em bem e mal, luzes e trevas, espírito e matéria; o neoplatonismo, como qual tomou contato com a ideia de que toda a existência humana é de natureza divina; e o existencialismo, tendência que foca no homem e na sua própria existência sem a presença de Deus ou do conceito de essência humana.
B_(__)_O maniqueísmo, seita típica do final da Antiguidade, que divide o mundo em bem e mal, luzes e trevas, espírito e matéria; o neoplatonismo, como qual tomou contato com a ideia de que toda a existência humana é de natureza divina; e o ceticismo, corrente filosófica que não reconhece o conhecimento empírico como verdadeiro, sendo necessário a busca racional pela verdade, de maneira que, se não encontrada, suspende-se o juízo.
C_(__)_O aristotelismo, tentando ajustar os conceitos da filosofia de Aristóteles aos dogmas da igreja católica, como a prova racional da existência de Deus; o neoplatonismo, como qual tomou contato com a ideia de que toda a existência humana é de natureza divina; e o ceticismo, corrente filosófica que não reconhece o conhecimento empírico como verdadeiro, sendo necessário a busca racional pela verdade, de maneira que, se não encontrada, suspende-se o juízo.
D_(__)_O maniqueísmo, seita típica do final da Antiguidade, que divide o mundo em bem e mal, luzes e trevas, espírito e matéria; o aristotelismo, tentando ajustar os conceitos da filosofia de Aristóteles aos dogmas da igreja católica, como a prova racional da existência de Deus; e o existencialismo, tendência que foca no homem e na sua própria existência sem a presença de Deus ou do conceito de essência humana.

8.    Assinale a alternativa que justifica a relação existente entre pecado e liberdade, para Santo Agostinho:
A_(__)_A liberdade humana é concedida por Deus, livrando o ser humano do pecado. Portanto, liberdade é não pecar.
B_(__)_A liberdade humana é a própria vontade do corpo e não da razão, daí a origem do pecado. A pessoa peca, pois usa de seu livre-arbítrio para satisfazer as suas vontades.
C_(__)_Liberdade é o uso da razão concedida por Deus para nos manter livres do pecado e do mal.
D_(__)_A liberdade conduz o ser humano a querer sempre o bem e a praticar boas ações, não necessitando da vigília divina. 

9.    Assinale a alternativa que traz a correta argumentação a respeito da fé e da razão, para Santo Agostinho.
A_(__)_A razão é a forma de se conhecer a realidade de forma coerente e lógica, não necessitando de uma crença em algo natural para compreender o mundo e a vida.
B_(__)_A fé nos faz crer em coisas que nem sempre é possível entender pela razão. A fé revela as verdades ao ser humano de forma direta e intuitiva. A razão sozinha não pode fazê-la, pois somos seres limitados, imperfeitos e necessitamos da graça para conhecer as verdades divinas.
C_(__)_A razão revela ao ser humano os mistérios da fé.
D_(__)_A fé é um instrumento da razão ao buscar elementos convincentes para a justificativa coerente sobre o mundo.

10.   A teoria da Iluminação Divina de Santo Agostinho defende que:
A_(__)_A verdade só é atingível àqueles que conseguem chegar no “mundo das ideias” e distinguir os seres verdadeiros dos seres imperfeitos presentes no mundo.
B_(__)_Diz que somente por meio da fé é que é possível ao ser humano questionar os dogmas da Igreja Católica.
C_(__)_Somente é possível conhecer a verdade por meio da vontade divina. E esse conhecimento só é alcançável a poucos, aos escolhidos por Deus.
D_(__)_Santo Agostinho diz que o conhecimento das verdades eternas é possível mediante a reflexão dialética (lógica), racional e coerente ao pensamento humano.

11.    Sobre o problema dos universais apontado pelos escolásticos observe as afirmativas:
I. Reflexão sobre se os universais são coisas ou meramente palavras.
II. Os realistas sustentam que os universais existem de fato, são ideias que existem por si mesmas.
III. Os nominalistas defendem a tese de que os termos universais não existem em si mesmos, pois são apenas palavras vazias sem existência real.
IV. Os realistas moderados dizem que, por exemplo, os universais da bondade e da beleza seriam modelos ou moldes a partir dos quais se criam as coisas boas e as coisas belas.
Somente estão corretas as afirmativas:
A_(__)_I, III e IV.
B_(__)_I, II e III. 
C_(__)_I, II, III e IV.
D_(__)_II, III e IV.
E_(__)_I e IV.

12.  A escolástica foi uma corrente filosófica cristã desenvolvida nas escolas e universidades da Idade Média que buscou conciliar o pensamento racional à teologia. Pela longa influência que durou mais de sete séculos, podemos dividi-la em três fases. Assinale a alternativa correta:
A_(__)_Primeira fase – confiança na perfeita harmonia entre fé e razão; segunda fase – harmonização parcial entre fé e razão, que tem como principal pensador Tomás de Aquino; e terceira fase – marcada pela disputa que realçam as diferenças entre fé e razão.
B_(__)_Primeira fase – confiança na perfeita harmonia entre fé e razão, tendo como expoente Santo Agostinho; segunda fase – harmonização parcial entre fé e razão, e terceira fase – marcada pela disputa que realçam as diferenças entre fé e razão.
C_(__)_Primeira fase – confiança na perfeita harmonia entre fé e razão; segunda fase – desenvolvimento promissor da lógica, e terceira fase – marcada pela disputa que realçam as diferenças entre fé e razão.
D_(__)_Primeira fase – confiança na perfeita harmonia entre fé e razão; segunda fase – harmonização parcial entre fé e razão; e terceira fase – marcada pela certeza das semelhanças entre fé e razão.

13.  Tomás de Aquino foi o principal representante da Escolástica. Teve grande influência do pensamento aristotélico em sua filosofia. Retomando as ideias do filósofo clássico, Tomás de Aquino enfatizou a importância da realidade sensorial. Sobre o processo de reconhecimento dessa realidade assinale a alternativa incorreta:
A_(__)_Um dos princípios básicos é o “princípio da não contradição” – o ser é ou não é. Não sendo possível existir algo que seja e não seja ao mesmo tempo e sob o mesmo ponto de vista.
B_(__)_O “princípio da substância” – é possível diferenciar a substância (aquilo que faz do ser o que ele é) do acidente (qualidade não necessária ao ser, que não interfere na sua essência).
C_(__)_O princípio da causa eficiente – todos os seres da realidade sensorial não possuem em si próprios a causa eficiente de sua existência. Para existir, necessitam de outro ser que represente sua causa eficiente.
D_(__)_O “princípio do ato e da potência” – o ato representa a capacidade de transformação, do vir-a-ser do ser; a potência diz representa a existência atual do ser, aquilo que está determinado, o que ele é agora.

14.  Responda:
A) O que foi a Patrística? E que relação ela propunha com a Filosofia?

B) Agostinho reinterpreta a teoria da Reminiscência fazendo nascer sua teoria da Iluminação. Explique o que foi a teoria da iluminação divina.

C) O que foi a Escolástica? E quem era o seu principal representante?

D) Explique o que foram as correntes filosóficas escolásticas do Realismo e Nominalismo.

E) São Tomás de Aquino, grande filósofo da Igreja Católica na Idade Média, tinha como objetivo de sua filosofia não contrariar os preceitos da fé. Foi muito influenciado pelo pensamento de Aristóteles. Entre os elementos básicos aristotélicos aproveitados por Tomás de Aquino estão os de essência e acidente. Como podemos definir estes dois conceitos? Dê exemplos se achar necessário.


F) Tomás de Aquino foi um importante pensador medieval. Um dos aspectos mais importantes de sua filosofia foi o desenvolvimento de provas racionais para a existência de Deus. Explique cada uma das cinco provas apresentadas pelo filósofo.

As questões discursivas serão analisadas em sala.

[2ª Série] Filosofia: Resumão para a Avaliação Bimestral

domingo, 24 de março de 2013

Para os alunos do 2º ano,
Segue também um resumo do que já foi estudado que requer a compreensão de vocês.


  • A importância da Filosofia Cristã, seu contexto histórico e objetivo: a Filosofia cristão surgiu na Idade Média dentro de um cenário em que se destacou a grande expansão e predomínio do Cristianismo. Foi nesse período que a consciência religiosa (cristã) associou0se à consciência racional (filosófica) para construir a chamada Filosofia Cristã. A Igreja Católica passou a exercer importante papel político na sociedade medieval. Conquistou também uma enorme quantidade de bens materiais, além de, no plano cultural, exerceu ampla influência, traçando um quadro intelectual em que a fé cristã tornou-se o pressuposto, um antecedente necessário, de toda a vida espiritual. A Filosofia Cristã tinha como objetivo explicar racionalmente as verdades da fé, principalmente no período em que a Igreja perdia seus fiéis para o Protestantismo.

  • A Patrística: foi a Filosofia Cristã, da Igreja Católica, elaborada pelos padres, que buscou utilizar a Filosofia em favor da Fé, como forma de defender o Cristianismo dos ataques dos pensadores considerados “pagãos” e combater as heresias.

  • Santo Agostinho e a relação estabelecida por ele entre: a) fé e razão; b) corpo e alma; c) vontade e pecado: foi o principal representante da Patrística. Agostinho vai buscar nos filósofos clássicos, principalmente na teoria de Platão elementos que possam ser utilizados para fundamentar a fé cristã. Por exemplo, Agostinho se adapta os conceitos de ideias imutáveis e da reminiscência para justificar filosoficamente a existência de Deus.
    Enquanto para Platão era possível conhecer a verdade através da razão, para Agostinho, a razão é um mero instrumento para a compreensão dos preceitos cristãos, de forma que, somente por meio da revelação é possível ao homem conhecer as verdades divinas. A Filosofia é um instrumento para explicar a Fé, porém, como seres limitados que somos, chegará um momento que ela não será capaz de desvendar os mistérios divinos, cabendo apenas à iluminação divida (por vontade de Deus) conhecer as verdades eternas.

  • Agostinho via no espírito a superioridade, sendo este responsável por comandar o corpo e não o seu contrário. A alma teria sido criada por Deus para dominar o corpo, dirigindo-o para a prática do bem. No entanto, quando o contrário ocorre, isto é, quando o corpo comanda a alma, Agostinho diz que nasce então o pecado, que tem origem das vontades do corpo. Por isso, ele dá tanta importância ao domínio da alma, por meio da sabedoria e da fé, sobre o corpo.

    Iluminação divina e a doutrina da predestinação: a teoria da iluminação divina defendida por Agostinho diz que somente os escolhidos por Deus serão capazes de conhecer as verdades eternas e divinas. A Filosofia ajuda a compreender a fé, mas não é suficiente. A doutrina da predestinação diz ser necessário à salvação humana, além das boas obras e da boa vontade, a concessão da graça divina, concedida a poucos.

  • Escolástica: 
    Contexto histórico: três séculos antes do seu surgimento, o imperador Carlos Magno, aliado ao Papa Leão III organizou o ensino e fundou escolas e universidades ligadas às instituições católicas, com isso, a cultura Greco-romana, que até então ficava reservada aos mosteiros, voltou a ser divulgada, passando a ter grande influência sobre o pensamento da época. A educação nestas escolas era de modelo romano, isto é, ensinava-se gramática, retórica, dialética, geometria, aritmética, astronomia e música, todas submetidas à teologia - estudo sobre Deus. Foi nesse período de florescimento cultural que nasceu a Escolástica (derivada de escola) como a maior produção filosófico-teológica, ligada ao aristotelismo.
    O principal objetivo da Escolástica era buscar a harmonização entre a fé cristã e a razão. Nesse contexto é possível dividi-la em três fases: 1ª - confiança perfeita na harmonia entre fé e religião (séc. IX ao XII); 2ª - com Tomás de Aquino, que considerava que a harmonização entre fé e razão poderia ser parcialmente alcançada (séc. XIII ao XIV); 3ª - decadência da Escolástica marcada por disputas que realçavam as diferenças entre fé e razão.

    A Escolástica não foi apenas referência em questões teológicas, mas contribuiu com significativos estudos da lógica - estudo do raciocínio válido. A questão dos universais derivou do desenvolvimento oferecido pelos escolásticos à lógica. Os universais são conceitos que podem se referir a coisas particulares e que provocou a reflexão sobre a relação existente entre palavras e coisas. Por conta da questão dos universais surgiram duas posições antagônicas para explicá-los: o realismo e o nominalismo.

    Realismo: seus adeptos sustentavam a tese de que os universais (conceitos) existem de fato, isto é, as ideias universais existem por si mesmas. Ex.: a bondade e a beleza seriam modelos a partir das quais se criariam as coisas boas e as coisas belas. Um dos principais pensadores dessa tese foi Santo Anselmo, que acreditava que os universais existiriam na mente divina.

    Nominalismo: seus defensores sustentam a tese de que os universais não existem por si mesmos, pois são apenas palavras, sem existência concreta. Não passam apenas de nomes, de convenção. Existiria apenas a individualidade.
    Entre as duas surgiu uma terceira posição, o realismo moderado de Pedro Abelardo que disse que só existiriam as realidades singulares, mas que seria possível buscar semelhanças entre os seres individuais, por meio da abstração, de forma a gerar conceitos universais. Não sendo, portanto, nem entidades metafísicas (Realismo), nem palavras vazias (Nominalismo).

  • São Tomás de Aquino: padre dominicano, filósofo e teólogo, proclamado santo e doutor da Igreja Católica, que nasceu em uma província da Itália, no séc. XIII. Ele foi um estudioso de Aristóteles, retomando suas ideias e tentando conciliá-las aos preceitos religiosos.
  • Os princípios estabelecidos por Tomás de Aquino para a compreensão da realidade sensorial - a realidade que somos capazes de perceber por meio dos sentidos:
    Princípio da não contradição: não existe nada que possa ser e não ser ao mesmo tempo e sob o mesmo ponto de vista.
    Princípio da substância: entre os seres podemos distinguir a substância, essência - sem a qual ela não seria aquilo que é; e o acidente - qualidade não essencial, que se o ser deixar de ter ele não deixará de ser o que é.
    Princípio da causa eficiente: é o que faz com que todos os seres que captamos pelos sentidos existam. Segundo Tomás de Aquino, os seres sensíveis são seres contingentes - que dependem de um agente que os produziu. Exemplo simbólico: o escultor que fez uma estátua. Neste caso, o escultor é a causa eficiente da escultura. Para a escultura existir (ser contingente) precisou de outro ser (causa eficiente).
    Princípio da finalidade: todo ser contingente existe em função de uma finalidade, de uma “razão de ser”. Todo ser contingente possui uma causa final, uma intenção, o objetivo da coisa.
    Princípio do ato e da potência: todo ser contingente (sensível) possui duas dimensões: o ato - que representa a existência atual do ser, que está dado no presente. E a potência - a capacidade real do ser, aquilo que não se realizou, mas pode se realizar.

  • De que forma Tomás de Aquino conciliou elementos da Filosofia de Aristóteles com a doutrina cristã para provar racionalmente a existência de Deus:
    1ª Prova: o primeiro motor – tudo aquilo que se move é movido por outro ser. Por sua vez, esse outro ser, para que se mova, necessita também que seja movido por outro ser, e assim sucessivamente. Se não houvesse um primeiro ser, cairíamos em um processo infinito. É necessário chegar a um primeiro motor que não é movido por ninguém – esse ser é Deus
    2ª Prova: a causa eficiente – todas as coisas no mundo não possuem em si a causa eficiente de suas existências (não produziram a si próprios). São efeitos de alguma coisa. É necessário admitir a existência de uma primeira causa eficiente, responsável pela sucessão de efeitos – essa causa primeira é Deus.
    3ª Prova: ser necessário e ser contingente – todo ser contingente do mesmo modo que existe, pode deixar de existir. Se todas as coisas que existem podem deixar de ser, então, alguma vez nada existiu. Mas, se assim fosse, também agora nada existiria, pois aquilo que não existe somente começa a existir em função de algo que já existia. É preciso admitir que há um ser que sempre existiu, um ser necessário, que seja a causa da necessidade de todos os seres contingentes. Esse ser é Deus.
    4ª Prova: graus de perfeição – em relação à qualidade de tudo que existe, pode-se afirmar que há graus de perfeição. Assim, estabelecemos que uma coisa é melhor que outra, mas bela, mas poderosa, mais verdadeira. Se dizemos que algo é “mais” ou “menos” determinada qualidade, devemos admitir que existe um ser com o máximo dessa qualidade. Esse ser máximo e pleno é Deus.
    5ª Prova: finalidade do ser – todas as coisas brutas, sem inteligência própria, existem na natureza cumprindo uma função, um objetivo, uma finalidade. Devemos então crer que, existe algum ser inteligente que dirige todas as coisas da natureza para que cumpram seu objetivo. Esse ser é Deus.