Profª de Filosofia e Sociologia da Rede Estadual de Goiás desde 2010.
"Quem educa com carinho e seriedade, educa para sempre".
Comece onde você está. Use o que você tem. Faça o que puder.
 

[1ª Série] Sociologia: O Mito do Tarzan

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013




O Mito do Tarzan
No começo do século XX, o escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs (1875-1950) deu início à publicação de uma série de histórias cujo personagem central era um homem criado desde criança por grandes macacos na África. Filho de um casal de nobres ingleses mortos após o naufrágio do navio em que viajavam pela costa africana, seu nome era John Greystoke. Os macacos que o criaram, porém, o chamavam de Tarzan. Sucesso imediato entre os leitores, Tarzan logo passou para as telas de cinema e para as histórias em quadrinhos, encantando sucessivas gerações.Nas histórias de Burroughs, Tarzan aprendeu a ler sozinho, com a ajuda apenas de um livro encontrado em uma cabana. Além disso, demonstrava sentimentos nobres e humanos e defendia valores semelhantes aos da sociedade em que viveu o escritor. Na verdade, o autor criou Tarzan segundo a imagem que tinha do homem europeu na época vitoriana: "civilizado", incapaz de atos de violência gratuita, justiceiro e ... "superior" aos africanos. Tratava-se, portanto, de uma construção ideológica que reproduzia as relações de dominação das potências européias sobre os povos da África na época do imperialismo (séculos XIX e primeira metade do século XX). Por essa época, os líderes das potências européias justificavam essa dominação afirmando que os europeus iam para a África difundir o que chamavam de "civilização" entre povos "bárbaros" e "atrasados".
Como obras de ficção, os livros de Tarzan sempre atraíram o interesse de jovens leitores. Como fonte de conhecimento, entretanto, apresentam uma imagem falsa e deformada da África, criando um personagem mítico, distante da realidade. Como vimos, os indivíduos da espécie humana só se tornam verdadeiramente humanos por intermédio da convivência e da interação em um meio social, ou seja, com seres de sua espécie. Como outras construções ideológicas, Tarzan con¬tribuiu para difundir e legitimar os interesses imperialistas de dominação dos povos africanos entre os séculos XIX e XX.

OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à Sociologia. São Paulo: Ed. Ática, 2010. p.11.

[1ª Série] Sociologia: Como nos tornamos humanos?

Somos todos seres sociais
Desde as suas origens, há cerca de 190 mil anos, o homo sapiens sapiens, ou homo sapiens moderno, espécie a qual pertencemos, se constituiu por meio do grupo. Assim como outros animais que vivem agrupados, os primeiros seres humanos só conseguiram sobreviver nas difíceis condições do mundo que os cercava porque contaram com o apoio e a solidariedade do grupo a que pertenciam.
Essa dependência do indivíduo em relação ao grupo teve início, assim, no momento mesmo em que surgiram os primeiros seres humanos, e continua até hoje. Uma de suas características a comunicabilidade humana, ou seja, a capacidade de o indivíduo se comunicar com seus semelhantes de forma a transmitir ideias, sentimentos, vontades, interesses, emoções. Essa capacidade evoluiu ao longo do tempo, passando de gestos e sinais a articulação de sons, ao desenvolvimento da linguagem, as primeiras manifestações artísticas - ainda no Período Paleolítico (190000 a.C.-8000 a.C.) - e escrita, criada em diferentes épocas em diversas regiões do planeta, como a Mesopotâmia (4000 a.C.), o Egito (3000 a.C.), a China (1700 a.C.) e a América Central, (900 a.C.) - datas aproximadas.
Hoje, utilizamos também novas formas de comunicação (a internet, por exemplo), mas algumas das que foram criadas por nossos ancestrais mais remotos, como a linguagem, ainda continuam em vigor.
A tendência do ser humano a viver em grupo pode ser comprovada de forma positiva pela experiência empírica, cotidiana: seja na escola, na família ou no país, fazemos parte de um conjunto mais amplo de pessoas, de um grupo social, ligado a um conjunto ainda maior, a sociedade em que vivemos. Mas há também outras formas de comprovar a necessidade da vida em grupo para o desenvolvimento do ser humano. Uma delas a experiência de crianças que vivem entre animais e em situações de isolamento em relação a outros indivíduos da espécie humana. Vamos conhecer uma dessas experiências?
Um caso intrigante
Em 1797, um menino seminu foi visto na floresta de Lacaune, na França. Mais tarde, foi registrado seu aparecimento no distrito de Aveyron. Descalço, apenas alguns farrapos de uma velha camisa (sinal de algum contato anterior com seres humanos) cobriam parte de seu corpo. Sempre que alguém se aproximava, ele fugia como um animal assustado.
Era um menino de cerca de 12 anos. Seu corpo estava repleto de cicatrizes. Provavelmente abandonado na floresta aos 4 ou 5 anos, foi objeto de curiosidade e provocou discussões acaloradas, principalmente na França.
Após sua captura, verificou-se que Victor (assim passou a ser chamado) no pronunciava nenhuma palavra e parecia no entender nada do que lhe falavam. Apesar do rigoroso inverno europeu, rejeitava roupas e também o uso de cama, preferindo dormir no chão. Locomovia-se apoiado nas mãos e nos pés, correndo como os animais quadrúpedes.

Como nos tornamos humanos?
Victor de Aveyron tornou-se um dos casos mais conhecidos de seres humanos criados em condições de liberdade em ambiente selvagem. Alguns médicos franceses afirmavam que o menino sofria de idiotia, uma deficiência mental grave. Segundo eles, teria sido essa a razão pela qual os pais o haviam abandonado.
O psiquiatra Jean-Marie Gaspard Itard não concordava com a opinião dos colegas. Quais as consequências, perguntava ele, da privação do convívio social e da ausência absoluta de educação para a inteligência de um adolescente que viveu assim, separado de indivíduos de sua espécie? Itard acreditava que a situação de abandono e afastamento da sociedade que explicava o comportamento diferente do menino. Discordava, assim, do diagnóstico de deficiência mental para o caso.
A partir de então, Itard trabalhou diretamente na educação do menino. Sua experiência foi registrada no livro A educação de um homem selvagem, publicado em 1801. Nesse livro, Itard apresenta seu trabalho com o menino de Aveyron, descrevendo as etapas de sua educação: ele já é capaz de sentar-se convenientemente mesa, de se servir da quantidade necessária de água para beber, de levar certos objetos ao seu terapeuta; diverte-se ao empurrar um pequeno carrinho e começa a ler (Filmes sugeridos: O garoto selvagem, de François Truffaut, 1970.).
Cinco anos mais tarde, Victor já confeccionava pequenos objetos e podava as plantas da casa. Esses resultados pareciam confirmar a tese de Itard, segundo a qual os antigos hábitos selvagens do menino e sua aparente deficiência mental eram apenas e tão-somente resultado de uma vida afastada da sociedade.
Com base nessa experiência, Itard formulou a hipótese de que a maior parte das deficiências intelectuais e sociais não são inatas, mas tem sua origem na falta de socialização do indivíduo considerado deficiente e na ausência de comunicação com seus semelhantes, especialmente de comunicação verbal.
Aproximando-se de uma visão sociológica, o pesquisador concluiu que o isolamento social prejudica a sociabilidade do indivíduo. Ora, a sociabilidade, ou seja, a capacidade de se comunicar e interagir com outros seres humanos, é o que torna possível a vida em sociedade.
OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à Sociologia. São Paulo: Ed. Ática, 2010. p. 10-11.

[1ª Série] Filosofia: A Explicação Mitológica do Mundo

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Galerinha, segue um texto para aprofundar o conteúdo trabalhado em sala! =)
Profª. Karoline

A Explicação Mitológica do Mundo



A filosofia surge por volta do século VII a.C na Grécia Antiga. Havia outra forma de explicação do mundo antes do surgimento da filosofia, a explicação por meio da mitologia. A mitologia é o conjunto de mitos de um determinado povo. Mas afinal, o quê é um mito? Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do poder, etc.).

O Mito (Mythos) é narrado pelo poeta-rapsodo, que escolhido pelos deuses transmitia o testemunho incontestável sobre a origem de todas as coisas, oriundas da relação sexual entre os deuses, gerando assim, tudo que existe e que existiu. Os mitos também narram o duelo entre as forças divinas que interferiam diretamente na vida dos homens, em suas guerras e no seu dia-a-dia, bem como explicava a origem dos castigos e dos males do mundo. Ou seja, a narrativa mítica é uma genealogia da origem das coisas a partir de lutas e alianças entre as forças que regem o universo. Por exemplo, o poeta Homero, na Ilíada, obra que narra a guerra de Tróia, explica por que, em certas batalhas, os troianos eram vitoriosos e, em outras, a vitória cabia aos gregos. Os deuses estavam divididos, alguns a favor de um lado e outros a favor do outro. A cada vez, o rei dos deuses, Zeus, ficava com um dos partidos, aliava-se com um grupo e fazia um dos lados - ou os troianos ou os gregos - vencer uma batalha. A causa da guerra, aliás, foi uma rivalidade entre as deusas. Elas apareceram em sonho para o príncipe troiano Paris, oferecendo a ele seus dons e ele escolheu a deusa do amor, Afrodite. As outras deusas, enciumadas, o fizeram raptar a grega Helena, mulher do general grego Menelau, e isso deu início à guerra entre os humanos.

O texto abaixo do filósofo Mircea Eliade trata dos mitos:

O mito conta uma história sagrada, quer dizer, um acontecimento primordial que teve lugar no começo do Tempo, desde o início. Mas contar uma história sagrada equivale a revelar um mistério, pois as personagens do mito não são seres humanos: são deuses ou Heróis civilizadores. Por esta razão seus feitos constituem mistérios: o homem não poderia conhecê-los se não lhe fossem revelados. O mito é pois a história do que se passou em tempos idos, a narração daquilo que os deuses ou os Seres divinos fizeram no começo do Tempo. “Dizer” um mito é proclamar o que se passou desde o princípio. Uma vez “dito”, quer dizer, revelado, o mito torna-se verdade apodítica1: funda a verdade absoluta. “É assim porque foi dito que é assim”, declaram os esquimós netsilik a fim de justificar a validade de sua história sagrada e suas tradições religiosas. O mito proclama a aparição de uma nova “situação” cósmica ou de um acontecimento primordial.

[...] Cada mito mostra como uma realidade veio à existência, seja ela a realidade total, o Cosmos, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, uma instituição humana. Narrando como vieram à existência as coisas, o homens explica as e responde indiretamente a uma outra questão: por que elas vieram à existência? O “por que” insere se sempre no “como”. E isto pela simples razão de que, ao se contar Como uma coisa nasceu, revela se a irrupção do sagrado no mundo, causa última de toda existência real.

[...] A função mais importante do mito é, pois, “fixar” os modelos exemplares de todos os ritos e de todas as atividades humanas significativas: alimentação, sexualidade, trabalho, educação etc. Comportando se como ser humano plenamente responsável, o homem imita os gestos exemplares dos deuses, repete as ações deles, quer se trate de uma simples função fisiológica, como a alimentação, quer de uma atividade social, econômica, cultural, militar etc.

[...] Na Nova Guiné, numerosos mitos falam de longas viagens pelo mar, fornecendo assim “modelos aos navegadores atuais”, bem como modelos para todas as outras atividades, “quer se trate de amor, de guerra, de pesca, de produção de chuva, ou do que for... A narração fornece precedentes para os diferentes momentos da construção de um barco, para os tabus sexuais que ela implica etc.” Um capitão, quando sai para o mar, personifica o herói mítico2 Aori. “Veste os trajes que Aori usava, segundo o mito; tem como ele o rosto enegrecido e, nos cabelos, um love semelhante àquele que Aori retirou da cabeça de Iviri. Dança sobre a plataforma e abre os braços como Aori abria suas asas”.

[...] A repetição fiel dos modelos divinos tem um resultado duplo: (1) por um lado, ao imitar os deuses, o homem mantém-se no sagrado e, conseqüentemente, na realidade; (2) por outro lado, graças à reatualização ininterrupta dos gestos divinos exemplares, o mundo é santificado. O comportamento religioso dos homens contribui para manter a santidade do mundo (Mircea Eliade. O sagrado e o profano).

1 Apodítica: indiscutível; que não pode ser contestado.
2 Mítico: relativo ao mito.

[1ª Série] Filosofia: Alguns Mitos

Mito de Tor:  
Antes de o Cristianismo chegar à Noruega, acreditava-se que Tor cruzava os céus numa carruagem puxada por dois bodes. E quando ele agitava seu martelo, produziam-se raios e trovões. A palavra “trovão” – Thor-døn em norueguês – significa originariamente “o rugido de Tor”. Em sueco, a palavra para trovão é åska, na verdade ås-aka – que significa a jornada dos deuses no céu.
Quando troveja e relampeja, geralmente também chove. E a chuva era vital para os camponeses da era dos vikings. Assim, Tor era adorado como o deus da fertilidade.
A resposta mitológica à questão de saber por que chovia era, portanto, a de que Tor agitava seu martelo. E quando caía a chuva, as sementes germinavam e as plantas cresciam nos campos.
Não se entendia por que as plantas cresciam nos campos e como davam frutos. Mas os camponeses sabiam que isto tinha alguma coisa a ver com a chuva. Além disso, todos acreditavam que a chuva tinha algo a ver com Tor. E isto fazia dele um dos deuses mais importantes do Norte da Europa.
(GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. Cia das Letras, São Paulo, 1998. Página 34-35.)

Mito da Criação da Humanidade: De acordo com a mitologia grega, por exemplo, os Titãs foram os primeiros habitantes do universo. E um destes titãs chamado Prometeu pegou barro e misturou com suas lágrimas depois trabalhando com paixão e dedicação, ele modelou uma estatua na qual em seu próprio significado seria um Deus. Prometeu estava orgulhoso de seu primeiro feito e decidido à criar uma multidão de estátuas.
Quando Prometeu terminou suas estátuas, viu que elas eram inanimadas, burras, sempre imóveis, simplesmente algo sem vida.
No entanto algo ainda estava faltando nessas estátuas, e foi a deusa Atenas que concedeu sabedoria a Prometeu. Atenas levou uma xícara de néctar e banhou o rosto principalmente os lábios de cada estátua, quando as estátuas feitas de barro e lágrimas beberam um pouco do tal néctar uma nova luz brilhou em seus olhos, a partir daí as estátuas ganharam o poder do raciocínio e pensamento, que foi o que lhes faltavam para terem vida.

Mito grego da alternância das estações:  
Deméter (filha do deus Cronos e de Réia), deusa da terra cultivada, das colheitas e das estações do ano teve uma filha com Zeus, chamada Perséfone. Ela era uma jovem muito bela, despertando assim o amor dos deuses. Hades, deus do submundo se apaixonou por ela e tomado pela vontade de tê-la ao seu lado a raptou enquanto ela colhia flores com as ninfas da floresta. Deméter, ficou inconsolável com o rapto de sua filha, descuidando-se assim de suas tarefas de cuidar das terras e das lavouras, causando escassez de alimentos. Junto com Hermes, a deusa foi até o reino de Hades para buscar a sua filha, mas esta não tinha rejeitado totalmente o deus obscuro. Assim, estabeleceu-se um acordo: ela passaria metade do ano junto a seus pais, e o restante com Hades. Quando estava no Olimpo sua mãe estava feliz, portanto, capaz de cuidar das lavouras e da fertilidade da terra. Já enquanto estava no submundo, Deméter tomada pela tristeza os campos secavam e as sementes não brotavam. Este mito justifica o ciclo das estações do ano.

[A todos] Ano letivo 2013

sábado, 19 de janeiro de 2013



A vitalidade é demonstrada não apenas pela persistência, mas pela capacidade de começar de novo. Scott Fitzgerald


Caros alunos,

O ano de 2013 traz, para mim, mais do que um ano novo. Ele me proporcionará um novo desafio como professora: lecionar em uma nova escola, em uma nova cidade com uma realidade educacional a descobrir.

Orizona é minha nova casa. Fui muito bem recebida e até o momento tive contato apenas com pessoas maravilhosas! 

Aos meus ex-alunos, agradeço a oportunidade de ensinar e de aprender a ser a cada dia uma professora melhor! Continuem frequentando o blog. Pretendo mantê-lo ativo e com muitas novidades para as aulas de Filosofia e Sociologia. Ah! Não esqueçam dos meus conselhos! Um dia vocês entenderão os motivos pelos quais eu "pegava tanto no pé" de vocês! Sentirei saudades (aliás, já estou)! :' )


Aos meus novos alunos desejo um ano letivo proveitoso, que possamos nos apropriar dos saberes que nos serão colocados nesta ano e que cada um consiga dar seus próprios passos, trilhar novos caminhos, ousar e transformar (-se). Desejo também que tenhamos um ano letivo de respeito, metas alcançadas, compromissos, amizades, sucessos e muita aprendizagem!

Profª. Karoline